sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

OPERÁRIO DE LAVRAS

 


- Ode incentivo –



p.321

 

Obreiro de todas as intempéries, trabalhador incansável de grandes realizações, braço forte do progresso, alicerce de grandes obras! Sob o perolar suado de seu rosto, se forja a Lavras de amanhã, alçada no mais nobre e dignificante labor, como se as asas do tempo se inserissem em seu dorso e a elevassem até às alturas da glória, fazendo-a incendiar-se pelos albores do triunfo.

 

Do seu másculo braço, obreiro da “Atenas Mineira”, medrarão em florilégios vibrantes, as auroras augustas de um porvir grandioso.

 

Do seu trabalho incessante, crescerão os átomos que de arrancada em arrancada, virão formar a célula viva da grandeza resoluta e do engrandecimento desse rincão, amado, como o grito de um falcão, escapado do coração da própria noite.

 

O seu trilhar é sinuoso e semeado de árduos espinhos. Os seus dias são incertos, povoados de imprevistos e saturados de privações.

 

Indiferente às intempéries que assolam cada dia mais a sua vida de laborista incansável, amarrado ao carro da usurpação, tirado pelos corcéis da necessidade, nos quais cavalgam os opressores e usurários capitalistas, você, operário lavrense, é ainda o alicerce rijo da vontade e do trabalho, da honradez e da bondade.

 

A você, operário de Lavras, a você, marco certo de um porvir de liberdade e independência, aqui fica, do âmago do peito, do aconchego do coração, o meu ei...

NELSON FIGUEIREDO

 



- Mérito –



p.317

 

Toda a apoteose de um espírito vibrante e batalhador, eloqüente e forte, mora em seu peito moço, que desconhece o peso da letargia e a embriaguez de sonhos estacionadores.

 

Toda a bondade de uma alma nobre e caritativa, altruísta e desprendida, povoa o seu ser amigo e simpático, na exuberância dessa mocidade imorredoura que emana de você. Na sua pessoa nós vislumbramos a potencialidade espiritual e a grandeza de coração que marcam com seu indelével selo, o caráter dos grandes e sinceros amigos.

 

Você, Nelson Figueiredo, é o braço que, quando solicitado, se uniu ao nosso, com a sua palavra de estímulo, com seus gestos cheios de convicção, com seu sorriso transbordante de confiança.

 

Você, Nelson Figueiredo, que desconhece o despeito rasteiro e a traição mesquinha, a bajulação sórdida e perseguição infame, que saturam os espíritos obscuros com o seu putrefato miasma de baixas maquinações, é um verdadeiro amigo e encorajador desse ideal que nasceu do povo para o povo e pelo povo.

 

Você conhece as necessidades da nossa terra. Você vibra frente às altas realizações que trarão para Lavras os louros de triunfo de que é merecedora.

 

Você estende seu braço de amparo moral às grandes ideias, principalmente quando nascida dos pequenos.

 

Você, raciocínio altivo, sabe com seus dizeres de causídico honrado, defender as causas do direito justo.

 

Você, probo homem de negócios, sabe caminhar pelas transações da vida, sem deixar pelo seu caminho as nódoas negras do apisoamento e da exploração, que sempre marcam com um cunho de miséria as sendas dos mercenários inconscientes.

 

Você, cidadão culto, sabe atravessar os sendeiros da existência, pelos trilhos da cooperação, que levam até às alturas magníficas de uma transcendental simpatia.

 

Você, nobre pai de família, sabe conduzir os seus, com a certeza de espírito e a bondade de coração, peculiares à sua pessoa.

 

E é para você, Nelson Figueiredo, amigo certo de todas as intempéries, que eu deixo aqui hoje o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

CHUVINHA RENITENTE

 



-Divagação –



p.313

 

Numa constância quase ininterrupta, desmanchando sonhos de passeios e pic-nics há muito planejados, fazendo da poeira fina de nossa terra essa lama vermelha e escorregadiça, alagando as esburacadas calçadas de nossas vias, você, chuvinha irritante, espalha sobre a cidade seu líquido manto, apagando a sorridente face do astro-rei, com uma nostalgia de calma e repouso, que brota de um céu gris e tristonho povoado de sentimentalismo e cansaço.

 

As tardes de mortas luminosidades, nos apresentam como donzelas pálidas e doentias, sob o influxo de auroras há muito sucumbidas.

 

E, como refolho dos corações magoados e repisados pela dor de uma saudade, pelo sentimento surdo de uma ingratidão, corações onde o sol da alegria deixou somente um vago reflexo de mudas tristezas, os seus dias são cheios de repouso e recordação, saturados das páginas vivas de remotos passados, por sobre os quais a ampulheta do tempo passou as suas esquálidas mãos, arrastando o futuro para o presente e o presente para o passado, num vago passo de indiferença, cumprindo um irredutível destino.

 

Você, chuvinha sonhadora, que penetra no mais recôndito âmago das almas, arrancando dali aquela potente e cegadora luminosidade que embala a alegria, para em seu lugar deixar essa bruma cinza de retrospecção, amortalhando e envolvendo em seus braços o dinamismo dos dias presente e povoando-as de calma e autoestudo, numa dissecação espiritual, de onde brotam em desenfreada corrida as amarguras do passado.

 

E é a você, chuvinha monótona e fria que banhas as velhas e tortuosas ruas das Lavras do Funil, que eu, em confronto com o meu próprio íntimo, saturado também de agruras pelos caminhos da vida, deixo aqui, com a recordação de muitos dias já vividos, com um respeito sereno pela sua psíquica influência, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

JOÃO MODESTO DE SOUZA




- Mérito –



p.309

 

 

Como se mão da natureza divina, abrisse em seu coração uma porta sem serralhos, você, João Modesto de Souza, é o homem que compreende e que sente o sofrimento dos seus semelhantes, lutando com eles e por eles, arrosta todos os empecilhos, vence a maledicência alheia e egoísta, com os olhos voltados para o alto, a alma saturada de bondade e as mãos cheias a transbordar de carinho.

 Se lhe fosse permitido ver e ouvir a voz dos céus, certeza tenho de que ouviria você uma salva de palmas, rompendo o infinito azul e reboando pelos flocos brancos do ornato celeste. É que Deus e Sua corte, vibrando com os seus atos de bondade, aplaudiriam freneticamente o seu desprendimento e a grandeza do seu coração.

 Não existe na terra o que possa medir a extensão de amizade que emana de seu espírito claro e aberto.

 De um ponto a outro da nossa cidade, onde o gemido de um sofredor se faz ouvir, nos montes e baixadas onde o lamento de um mendigo quebra o silencia da noite, você está, João Modesto de Souza, com as suas palavras de incentivo, com os seus gestos de nobre coração, a estender o seu braço amigo na eterna ânsia de salvação e de conforto.

 O seu nome, pronunciado em meio da pobreza, é uma bandeira que acolhe a arranca sorrisos de peitos sofredores. É um verdadeiro fanal de inextinguível chama, a iluminar sendeiros mais amplos e mais felizes. O seu nome, dito no meio da elite ostentosa, descobre cabeças e desperta justos e merecidos elogios.

 O todo das suas realizações, somado à sua vida de batalhador incansável, à sua existência de pai de família amoroso e bom, daria para cobrir com um manto de carinho e de exemplos, todos os solos pisados por seus pés, nesta e esburacada Lavras.

 Na simplicidade de sua pessoa, na modéstia dos seus modos, na grandeza dos seus atos, no desprendimento do seu espírito, nós vemos a personalidade marcante que arranca de todas as bocas uma só exclamação: - Eis aí um grande homem!

 E é para você, João Modesto de Souza, que eu, do meio dos aplausos constantes dos seus admiradores, levanto a minha voz num sussurro para dizer: João Modesto de Souza, sinceramente, aqui está o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



LACTÁRIO DE LAVRAS

 



- Mérito –



p.305

 

Rasgando novos horizontes, de caminhos mais claros no amparo à infância de nossa terra, você, Lactário de Lavras, surgiu da mentalidade moça e vibrante de um punhado de sonhadores e idealistas, que confiam no futuro e na grandeza da nossa Santana das Lavras do Funil.

 Brotado de um sussurro, você se moldou, cresceu e se agigantou, frente aos olhos estupefatos dos incrédulos derrotistas.

 Hoje, quando a subalimentação e a fome, estão banidas de centenas de míseras choupanas, onde o seu amparo salvador colocou a sua mão carinhosa, cobrindo com uma sombra defensora as cabecinhas inocentes de pobres criancinhas, nós erguemos os nossos olhos para contemplar a sua marcha triunfante, em prol de uma infância forte e bem cuidada. Nós erguemos nossas mãos para aplaudir e sagrar o arrojo de sua luta e o denodo de seu desprendimento.

 Na grandeza e na luminosidade de seu ideal, nós vemos, bocas famintas, receberem de sua mão carinhosa e amiga, pura e desinteressada, o leite que os magros seios de mães doentes e pobres não puderam produzir.

 Você tomou para si um problema árduo e até agora sem solução, somente cogitado pelos poderes governamentais, em circulares e projetos, que nunca passam das gavetas e das pastas da burocracia estacionária.

 Nessa plêiade jovem e idealista que se encontra à sua frente, nós vemos a certeza de sua vitória, através de uma existência que já aparece promissora.

 Os corações dos lavrenses, em suspenso, contemplam a sua marcha benfazeja, espalhando mancheias de caridade,igualdade e fraternidade.

Nós, os lavrense que amamos a nossa terra e que pugnamos por um futuro são e forte, nos unimos a você, para, num crescendo ininterrupto, engrossar as suas fileiras e aumentar o timbre de sua voz, em defesa e proteção a esta infância pobre e sofredora, que veio ao mundo com o selo do desamparo estampado no próprio rosto.

 As famílias lavrenses que compreendem a altura do seu significado, levarão até você o seu óbolo, a sua contribuição.

 As mães que amam e amparam os seus filhos, com carinho e desvelo, saberão medir a luminosidade da sua iniciativa e depositarão também, não como uma esmola, mas como uma obrigação, a sua dádiva sincera e bondosa.

 Os pais que olhando a sua prole, arquitetam para ela um futuro risonho, saberão ofertar também, aos pobres meninos sem leite, uma réstia de sol e de direitos, associando-se a você e levando o seu amparo espontâneo e justo ao seu nobre e merecido objetivo.

 E, toda Lavras será dentre em breve uma só corrente em seu favor. Lavras será também inteiramente sócia do seu Lactário.

 Unindo o meu brado, embora fraco, mas sincero ao seu grito de reerguimento, é que eu quero deixar aqui, para você, Lactário de Lavras e para o seu ideal brilhante, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

MEU DIFAMADOR IRRESPONSÁVEL

  



- Repulsa –



p.301

Quando, do negrume da ignorância e do despeito, brotam uivos e imprecações mesquinhas, nascidos do peito putrefato da inveja e do egoísmo, surdos se fazem os ouvidos dos que têm um ideal na vida e que lutam por um futuro mais elevado, alheio às sordícias da mentira e às maquinações infames da intriga.

 A rouquenha voz das impotentes bestas disformes que povoam corações alheios às realizações de vulto, se perdem sem eco pelos obscuros labirintos do despeito, unido-se somente aqui e ali, ao coaxar nojento de outros batráquios do lodo, mordidos pelos mesmos dentes da inveja e rasgados pelas mesmas garras da indiferença.

 Mil vezes mais fácil é abrir-se a boca ou levantar os braços para destruir que para bendizer ou edificar uma obra. Entretanto, quando esta obra é um espírito forte, indiferente às balelas da comunidade e ao “diz-se que diz” das esquinas, impotentes se tornam as patas da ignorância e a voz da destruição, pois, o seu máximo esforço e a sua maior vontade, são, em comparação, tão baixos que não conseguem nem seque alcançar o pedestal granítico em que se baseia a verdade.

 Medrosos de atacar pela frente e mostrar-se sob a luz, à impavidez de um espírito superior, limitam-se ao abrigo da escuridão, cuspir nos sendeiros das mentes livres que o seu dinheiro ou a sua imprecação não conseguiu dobrar. E as gargantas da invejam lapidam pelas costas, o que a sua impotência mental não conseguiu atacar frete a frente.

Sobre todos os seus baixos e fracos ataques de epiléptico mental, meu impotente difamador, eu caminho indiferente e resoluto, sem o menor traço de aborrecimento. Sinto apenas um desprezo imenso pela sua conduta tão incerta e tão nojenta. Quisera que você fosse mais sincero e procurasse tirar as suas dúvidas, entretanto, terá você de enfrentar a luz da verdade e isto talvez lhe seja mortal.

 Os vermes não pululam à luz do sol, carecem da noite para viver e proliferar.

 E é com esta página que meu coração ditou, sem rancor,posso lhe afirmar, que eu deixo aqui, para você, meu difamador irresponsável, despretensiosamente, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.


 

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

NOVA DIRETORIA DO CLUBE DE LAVRAS

 



- Incentivo –



p.297

 

Imbuída no mais elevado espírito de recreação espiritual, saturada do mais puro ideal de sentimento democrático, é que você, nova diretoria do Clube de Lavras, empunhou esta bandeira que há longos anos tremula sobre este rincão, num brado afirmativo da educação social de um povo, que sempre definiu a sociedade lavrense e que sempre se mostrou como um lema inquebrantável, frente a todas as realizações cívicas, que fazem de um povo heterogêneo uma unidade sã e compreensiva, numa metamorfose perfeita para a homogeneidade de uma raça.

 

Ao empunhar este baluarte do espírito social lavrense, você o fez, vislumbrando já promissores horizontes, onde a amizade e a fraternidade se entrelaçam e se confundem no mais inigualável e perfeito abraço de colaboração.

 

Ao iniciar a sua caminhada, frente à sociedade desta terra, você demonstra em rasgados gestos de sinceridade, o todo de confiança e compreensão, de liberalidade e esperança, que povoa o seu espírito moço.

 

Como seus próprios gestos demonstram, você compreende os anseios da mocidade alegre e buliçosa da “terra dos ipês e das escolas”. Você conhece o espírito de igualdade e cultura, que levantou do nada nesta velha Lavras, a idéia de uma sociedade recreativa e a liberdade de pensamentos, que foi a pedra fundamental e o alicerce irredutível desta organização.

 

A educação social de um povo se traduz através de suas associações e por intermédio das festividades que nelas tenham lugar. E o Clube de Lavras é a sala de visitas lavrense, onde se confraternizam, em são divertimento espiritual, as cultas e livres classes desta “Atenas Mineira”.

 

Confiante no futuro grandioso desta tradicional sociedade, em cuja frente você agora marcha, nova diretoria do Clube de Lavras, é que eu deixo aqui, muito sinceramente, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

MINHA MÁQUINA DE ESCREVER



- Divagação –



p.293

 

Bem sei que você anda cansada dos meus dedos, que por dias a fio, sem descanso, comprimem as suas teclas num esforço titânico, por fazer alguma coisa de útil, de aproveitável.

 

Dias existem em que você me sorri satisfeita e o assunto brota espontâneo da nossa cooperação. Outras vezes você discorda de mim, mas vai aceitando com boa vontade e paciência as minhas imposições. Outras vezes mais, julga-me você um tanto violento no combate a alguma coisa, mas acaba concordando com os meus pontos de vista e trabalhando comigo. Entretanto, existem também os dias em que me assento à sua frente e ponho-me a contemplá-la. Fraco, impotente, sem assuntos, desanimado de bradar no deserto. E, parece-me vê-la sorrir um sorriso de mofa, zombeteiro, insultante mesmo. Mas, eu compreendo a sua mentalidade. Você anda já cansada. As letras do seu teclado parecem baralhar-se ante meus olhos, formando palavras e frases, como se você procurasse, através da sua fria mudez, falar do meu fracasso, empregando frases como estas: - Por que não desistes dos teus sonhos vãos? Por que continuas a apontar o mal? Não vês que aqueles a quem defendes te lapidam pelas costas, riem da tua vontade de criar, de emoldurar, de produzir? Abandona este estúpido idealismo de trabalhar a favor do direito. Segue a rotina da vida. Chafurda o teu corpo no lodo d escravidão e cega os teus olhos paras as visões de liberdade! Deixa à beira do teu caminho este mito, esta vontade que te acompanha e penetra também nos escuros labirintos da existência ignorante. O dia em que fores também um servo, o dia em a tua palavra for empregada para bajular o autoritarismo, para sagrar os maus feitos e lutar pela degeneração do povo, então terás valor ante os que agora te contemplam, com ódio e com temor, com despeito e com indignação. O dia em que a tua cabeça se pender sob o peso do ouro e a tua voz se vender ao poder dos potentados, terás então o teu nome, correndo de boca em boca, lembrado como exemplo de moral e dignidade. Terás então o valor que os homens sabem dar a todos aqueles que pregam a servidão e mutilam a liberdade!

 

Compreendo bem as suas palavras, minha máquina de escrever, estou também de acordo com você, no julgar da mentalidade humana: o valor de um homem está, não no cumprimento sagrado da justiça e do direito. Não no apostolado da honra e da verdade, mas sim no abuso a mentira e da infâmia. Na corrupção, na desonra e na bajulação.

 

Compreendo o seu desânimo, mas jamais usarei as suas teclas a favor da imposição. Jamais dobrarei a minha fronte ao peso do outro ou dos chicotes nojentos da tirania autoritária. Se algum dia baixar sobre a vergasta de um tirano, há de ferir-me na face, pois minha cabeça não fraquejar e saberei enfrentar de rosto alevantado, o carrasco compra da degeneração e da mentira.

 

Por isso, minha boa amiga e companheira, guarda para você os seus conselhos. Eu saberei seguir o meu caminho, em linha reta dentro do meu ideal de lutas.

 

Aproveitando estar você hoje mal comigo, eu quero dedicar-lhe com carinho, sem constrangimento, agradecendo, mas não aceitando as suas bem-intencionadas palavras, minha máquina de escrever, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

LADRÃO INCONSCIENTE

 



- Conselho ou agouro? –





p.289

 

Existe um certíssimo ditado que diz: “O crime não compensa”, entretanto, nem todos pensam da mesma forma. Vivo, aí está um exemplo disso; há já dias, você, ladrão inconsciente de Lavras, assalta os lares desprevenidos e põe temor às senhoras impotentes, ameaçando de faca em punho, a própria vida de suas vítimas.

 

Estará você agindo com a consciência lúcida de um futuro melhor? Experimente um minuto de meditação; relembra ou estuda os grandes ladrões, alguns mesmos, integrados nas páginas da história universal e procura a compensação de todos eles: alguns morreram na forca, outros eletrocutados e outros ainda, dentro do seu momento de ação, varados por uma bala certeira. Procura ver que eles agiam com sagacidade e inteligência; traçando e estudando planos de absoluta perfeição, (?) entretanto, todos eles, mais cedo ou mais tarde, tiveram o seu trágico fim. Você tem demonstrado pouca percepção e curta inteligência. Poderá dessa forma superar os seus antecessores, mantendo-se acobertado na sua própria ignorância? Pensa bem e veja se não tenho um pouco de razão: você já pensou em sua mãe, esposa, filhos ou irmãos? Qual

Será a situação dessas inocentes criaturas, no dia em que o inexorável destino de todos os criminosos o envolver em suas malhas? Pensa no trabalho honrado e retorna ao caminho da vida nobre, onde o pão de cada dia, ganho com o suor de seu rosto, terá o duplo valor de alimento e fruo de um labor justo.

 

A luta pela vida, só tem valor no trabalho e na labuta dos dias claros do direito e da honradez.

 

Enquanto é tempo, procura os trilhos do bem. Em caso contrário, eu, confiante nos poderes policiais de Lavras, desejarei mandar, de sob a luz da liberdade, através das grades de uma prisão, com o desprezo que se deve dar aos criminosos premeditados, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

domingo, 26 de dezembro de 2021

HOSPITAL VAZ MONTEIRO



- Ode –



p.285

 

Nascido de um sonho bem interpretado e levantado pela inquebrantável vontade de u m elevado ideal, você, Hospital Vaz Monteiro, é hoje uma das jóias que ornam essa velha Santana das Lavras do Funil.

 Brotado da espontaneidade de um espírito de lutas, como é o do Dr. Dilermando Correia Leite, este acalentado ideal galgou com rapidez a escala das coisas reais, plantando-se bem alto no conceito da coletividade; lançando desde ali, mancheias a transbordar de benefícios.

 Como quem, lançando para os céus noturnos o olhar, vislumbrasse através da obscuridade desconhecida, a refulgência da claridade lunar, o Dr. Correia Leite, embora os caminhos fossem também trevosos e desconhecidos, povoados de incertezas e de escolhos, lançou a sua vista por sobre esta interrogação e pousou, com sua imaginação, sobre as pilastras do sonho um ídolo e marchou direito a ele, guiado pelo seu brilho e pelo seu significado, não medindo esforços e clareando a cada passo, mais e mais aquele sendeiro, antes desconhecido e amedrontador. E a caminhada foi heróica e o herói alcançou o seu ídolo.

 Deixando só a meta de partida, o Dr. Correia Leite encontrou pelo caminho, espíritos fortes como o seu. Estes, ao ouvirem de sua boca, num edificar maravilhoso, a vontade de trabalhar e o destemor da luta, se uniram a ele de corpo e alma, caminho a fora, em busca da realidade brilhante que já se fazia vizinha.

 Encontrou o Dr. Correia Leite a compreensão de um Procópio Alvarenga e o amor às boas obras de um Antônio Vaz Monteiro, a quem, uma força maior que a terrena não consentiu visse ele daqui mesmo, o auge do ideal que ajudara a acalentar, reservando-lhe um visor na eternidade, para que ele vislumbrasse e aplaudisse a obra sua e de seus irmãos de lutas.

 E o Hospital, numa metamorfose perfeita e deslumbrante, abandonou os terrenos do sonho, entrando triunfalmente nos campos da realidade.

 E esta obra, em lugar de aplastar, pelo seu fulgor, o nome dos seus idealizadores, os levanta mais e mais, pelo seu trabalho benfeitor e abençoado.

 As mães aflitas encontram no Hospital Vaz Monteiro, um punhado de lenitivo para o seu sofrimento. As criancinhas desvalidas, encontram ali o carinho de um lar. Os pobres encontram o bálsamo ao seu cruciante abandono.

 É para esta obra que honra a cidade de Lavras, para você, Hospital Vaz Monteiro, à memória de seu benemérito, cujo nome encima os seus umbrais, e nas pessoas do Dr. Correia Leite e de Procópio Alvarenga, que eu quero deixar aqui hoje, com a profunda admiração de um lavrense que ama o seu torrão, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

POÇOS DE CALDAS

 



- Ode –



p.281

Como que um diadema brilhante, encravado no peito agreste de Minas Gerais, você, cidade de Poços de Caldas, é uma jóia rutilante, emoldurada pelo abraço da natureza, que a estreitou no coração das alterosas, simulando a força de um pincel criador, que a lances vivos de imaginação e a toques de coloridos brilhantes, transportasse a efeméride de u m sonho para o quadro material de uma tocante realidade.

 O baloiçar constante de seus arvoredos, parece, num estender perene para os céus, milhares de mãos amigas a saudarem num misto de prazer e cordialidade os que aqui vêm em busca do repouso espiritual, a contemplar, na sua magnitude, esse punhado de natureza, espalhado ao acaso, por mãos divinas, nas plagas amenas das Gerais.

 No marulhar das suas milagrosas fontes, os sofredores, buscam confiantes o lenitivo para os seus fias amargos, entrecortados de “ais” e de esperanças, encontrando para o seu corpo alquebrado, uma luz de ânimo, que aponta com resoluta certeza, o caminho da cura e da felicidade.

 Ao fazer essa ode sincera a você, cidade de Poços de Caldas, eu não poderia deixar nas trevas do anonimato o valor de seus filhos idealistas, que pugnando por seu crescente progresso, se desdobram em todos os setores, como titãs impolutos, marchando na direção norte da perfeição, rasgando os sendeiros do seu porvir, com a convicção de u m soldado que, confiando na vitória, cega os próprios olhos para as visões da derrota.

 Na sua hospitalidade, Canaã brasileira, o viandante nômade e irrequieto, encontra o ideal para o seu lar, antes sem rumo e sem parada.

 Das obras de seus filhos, como estrela guia de sua grandeza, ressalta-se com brilho inigualável, esta fonte de cultura e recreio, que enche os céus de seus domínios e, rompendo as fronteiras das alterosas, faz eco pelas quebradas deste Brasil imenso, levando de arrancada em arrancada, o seu nome sempre crescente de maravilhas e saturado de esplendor: Rádio Cultura de Poços de Caldas. Esta realidade fulgurante, que bem pode ser chamada: modelo vivo das pequenas emissoras da terra de Cabral. E, que com justo e definido orgulho se denomina “maior pequena emissora do Brasil”.

 E é para você, cidade de Poços de Caldas, que eu deixo pelas ondas da sua Rádio Cultura, o cumprimento máximo, mais cordial e mais sincero de Lavras, minha terra natal. Com carinho e amizade, aqui deixo o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

ESCADA DE JACOB

 



- Rumo –



P.277

 

Dentro da vida, em todos os momentos, em todas as ocasiões. As escaladas devem ser feitas com altaneria, honra e respeito.

 A escada de Jocob levou-o através dos sonhos, até as alturas magníficas, onde habitam as divindades e ele soube interpretar a sua escalada, ele soube medir os seus passos e respeitar a sua significação.

 O abrir das urnas em nossa terra, tem elevado de degrau em degrau o nome merecedor de João Modesto de Sousa. E, subindo a escala da vitória, este homem tem se mostrado consciente e nobre, respeitador e compreensivo. O seu adversário, Dr.,. Sílvio Menicucci, senhor de um espírito altruísta, de uma educação cívica inquebrantável e de uma consciência elevada, tem sabido aceitar a derrota, com a fibra de um Ricardo frente a Saladino.

 Entretanto, existem aqueles que não sabem perder e outros mais que não sabem vencer. Existem os que não compreendem o ideal da luta, os que não auscultam as necessidades do povo, os que se esquecem da razão e do direito. Os que se julgam grandes por estarem com a vitória e os que se julgam humilhados por estarem com a derrota. Os que insultam, confiantes na situação. Os que se escondem envergonhados, julgando-se em planos inferiores.

 É grande ainda o erro de parte do nosso povo. Não é tão difícil saber ganhar ou perder. Basta para isso um pouco de confiança em si próprio, um pouco de respeito aos direitos alheios, um pouco de reflexão em torno da liberdade.

 Livre é todo aquele que, vitorioso sabe dar direito ao vencido. Livre é todo aquele que, vencido sabe fazer-se impor pelo direito.

 As questões pessoais devem ceder lugar aos interesses da comunidade. As manifestações de júbilo, devem ser feita para sagrar a vitória e não para espezinhar a derrota.

 O derrotado, como o vencedor, lutou por um ideal que é seu merece portanto o respeito e a admiração.

 Sem antagonismo não há luta e sem luta não há vitória. Os que hoje são vitoriosos, poderiam também ser derrotados e desta forma, exigiriam respeito à sua situação.

 Saber dar a quem tem o direito da liberdade, é ser livre dentro dos seus desígnios.

 Saber aceitar a derrota é manter-se firme na defesa dos seus anseios. Aos covardes se proscreve após a luta, mas aos lutadores vencidos se admira.

 A vocês que venceram; respeito aos soldados de Ricardo.

 A vocês que perderam; confiança nos soldados de Saladino.

 Contemplando essa escalada, confiante no civismo do nosso povo, eu quero deixar aqui, para vocês, escada de Jacob, como um símbolo de verdade, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

ANTESSALA DO PLEITO ELEITORAL

 



- Rumo –



p.273

 

A passos largos e resolutos marcha a liberdade, para num arrojo magnífico completar a redemocratização do Brasil.

 Amanhã, 23 de novembro de 1947, a coletividade lavrense, conscienciosa e livre, irá às urnas escolher os dirigentes da nossa terra. Irá às urnas com plena e absoluta posse de todos os seus direitos, votando no último lance que completa a democracia brasileira.

 Numa campanha clara e bem orientada, vimos e ouvimos os nomes promissores de João Modesto de Souza e Sílvio Menicucci, brotando de todas as bocas e estampados em todos os rincões, como que um grito de renovação e trabalho que emergisse do coração sofredor do próprio povo.

 Aqui ou acolá, surgiram algumas desinteligências, alguns ataques ferinos, entretanto, numa lisura inigualável, o povo fechou e fez surdos os seus ouvidos às balelas e recursos grosseiros dos inescrupulosos. As infâmias brotadas do lodo, não conseguiram ganhar terreno na consciência da comunidade pereceram dentro da podridão onde nasceram. Os aproveitadores de momentos, os oportunistas profissionais e bajuladores rasteiros, calaram-se à aparição da verdade.

 Decepcionados, marcham os impotentes saudosistas. Julgavam eles que o povo ainda era aquele mesmo de épocas remotas; acreditando em tudo cegamente, seguindo os chefetes, comprado pelas migalhas da promessa falsa e servil ao grito dos potentados. Hoje, estamos em uma bem diferente época. O povo sabe o que quer, aprendeu a julgar e escolher pela sua própria vontade. A imposição é chapa do passado, as ameaças caíram em desuso, a liberdade individual suplantou a vontade dos profissionais do mando. O livre arbítrio pessoal derrotou o desejo dos chefes e do direito apareceu radiante, imperando com todos os seus fulgores sobre a cabeça da coletividade.

 Estamos a poucos passos das urnas. Votando em Sílvio Menicucci ou em João Modesto de Souza, saibamos fazê-lo com altaneira e independência, com liberdade e honra. Saibamos merecer um pleito que agrega em duas figuras magnânimas. Não desonremos a nossa vontade, aceitando a imposição ou acreditando nas infâmias da corja oportunista. A nossa vontade é direito e a nossa liberdade é uma obrigação. Ser livre é saber cumprir o próprio dever de cidadão.

 É com os olhos fitos em você, povo consciente e livre da “Atenas Mineira”, com o peito transbordante de confiança em seus desígnios, que eu deixo aqui hoje, olhando para você, antesssala do pleito eleitoral, com certeza e convicção, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

MESINHA DE CAFÉ

  



- Luta –



p.269

 

Como que num apanhado geral dos acontecimentos de cada dia, abrem-se em torno de você, num linguajar inescrupuloso, os engrossadores de boatos, forjadores de infâmias e envenenadores do espírito pouco esclarecido do povo.

 Numa constância assustadora, saltam de suas bocas cridas e pagas para a discórdia, nomes impolutos e sem mácula, arrastados no lodo da vergonha e do desbrio, pelas imprecações derrotistas, saturadas da mais surda inveja.

 Em sua volta, mesinha de café, corrompem-se as mais pudorosas honras, apedrejam-se as mais merecedoras mercês, difamam-se os mais sinceros lares, forjam-se as mais descabidas mentiras. Terá tudo isto a sua razão de ser, perguntamos nós? Alguns dirão que sim, pois dentro da política a infâmia chama-se estratégia. As traições apelidam-se de conversões. O desbrio chama-se tato, a desonra sacrifício.

 O que em épocas normais seria mais baixo que o mais putrefato miasma, eleva-se a altura de verdadeiros “slogans”, ganha terreno dentro da verdadeira honra. O que era crime transforma-se em virtude e os virtuosos coram-se de vergonha. As palavras e os atos se bifurcam, as contradições se avolumam e caminham os vermes abrindo passo na escuridão, medrosos da luz do sol.

 Se você tivesse alma, mesinha de café, se você sentisse dentro da sua frialdade material um sopro de vida, certeza tenho de que fugiria do meio dessa baixa escória de humanidade que a rodeia.

 Se você, além da vida tivesse braços, ouviríamos então o estalar de um bofetão na face negra da mentira, escorraçando do seu aconchego essa corja de vendedores de palavras e bajuladores interesseiros que em detrimento da verdade, do direito e da liberdade, cultuam e pregam a mentira, a infâmia, a covardia e a traição.

 Esse amealhado de vendilhões rasteiros, se esquece da sua própria corrupção, da sua própria baixeza, para atirar contra aqueles que lutam por dias mais claros, dentro das sendas da verdade.

 Esses profetas da vergonha, serão sepultados sob o peso das ruínas dessas muralhas de lama, em cujo topo profetizam.

 A verdade aplastará com sua refulgência as trevas da infâmia. O direito arrebentará as cadeias da incompreensão e dará o seu vitorioso grito de Osanas à liberdade!

 Amanhã, mesinha de café, passados estes momentos de indecisão e de palavras baratas, você verá os mesmos imbecis olhando a situação por outro prisma, numa contradição vergonhosa.

 E é por isso, tablado de reuniões, é por isso, mesinha de café, que eu hoje quero dedicar a você, com toda a minha franqueza e a minha sinceridade, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

 

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

CALCANHAR DE AQUILES

 

1.   

 



- Rumo –



p.263

Procuremos no íntimo do mais nobre homem, vasculhemos a sua vida, o seu passado. Ponhamos fixa atenção em seus próprios gestos de altaneria e bondade e veremos brotar, como que boiando acima de todos os seus esforços, o seu ponto fraco, vulnerável e falho.

 O homem nasceu de um erro, para esse outro grande erro que é a existência. Foi posto no mundo com milhares de caminhos a se bifurcarem à sua frente. Alguns deles levando quase à perfeição, alguns mais, conduzindo à vida sem anormalidades, como que uma vegetação obscura, sem interesse e sem malícia. Ignorando a prática do bem e a profissão do mal. E, outros muitos, arrastando com encantos demoníacos para o lado negro e sórdido da existência; pelas sendas do crime, do roubo e da infâmia.

 Entretanto, quantos ingênuos se julgam iluminados. Crêem mesmo que a sua vida é u m exemplo. Sem erro e sem malícia, sem mentira e sem pecado. Ingênuos que se plantam em expectativa, no degrau mais baixo da existência, esquecendo-se do seu lado fraco e insincero, para dali apreciar os que, por mais capacidade, galgam a escala do merecimento. E, este corrompido de inveja, repisado de maldades, anota em sua mente destruidora, a vulnerabilidade daquele que sobre, esquecendo-se do lado sincero e nobre e apontando as suas fraquezas, as suas quedas, as suas desditas. Procurando ver em cada passo mais para cima, fraquejar o calcanhar de Aquiles.

 Lavras contempla, já o disse uma vez, a subida de dois homens de valor e honra na escala espinhosa da política. Cidadãos que possuindo também, como qualquer outro, a face fraca e vulnerável, se agigantam em atos de nobreza e merecimento.

 Contemplemos o lado claro e bom do Dr. Sílvio Menicucci: quando sendeiro percorrido em demanda do bem e do direito. Quanto gesto de desprendimento e sinceridade, brota de seu peito moço e bem intencionado.

 Olhemos agora a face iluminada do ser João Modesto de Souza: que brilhantes feitos. Que trabalhador incansável e profícuo. Que ideais alevantados, que espírito bom e bem orientado.

 Volvamos agora os nossos olhos e vislumbremos os caçadores de defeitos e desenterradores de fraquezas: lá estão eles ao pé da escada, maldizendo, assentados sobre seus próprios e imundos rabos, um ou outro ato de fraqueza ou de inverdade. Ferrotoando os ouvidos do povo com intrigas vergonhosas e trazendo à baila fatos íntimos, que pouco ou nada têm a ver com o espírito de administração que povoa os dois grandes candidatos.

 Olhemos a vida pelo prisma inverso ao da maldade. Procuremos encontrar e apontar nos homens os seus feitos de nobreza de caráter. Façamos surdos os nossos ouvidos para os uivos servis das camarilhas confusionistas e difamatórias. Abandonemos à beira do caminho, como a cães pestilentos e hidrófobos, os apontadores de erros e ignorantes do merecimento. Marchemos assim, sem a imundície da mentira e da infâmia. Sejamos donos de nossa própria opinião.

 A vida compreende o presente e o futuro, não se vive das recordações do passado. Até o próprio criminoso redimido ao tomar o caminho do bem, merece o nosso respeito e a nossa admiração.

 Todos nós temos dentro de nós mesmos, um ou mais pontos de fácil vulnerabilidade.

 E é apontando para vocês, caçadores de maus feitos, desenterradores de cadáveres putrefatos, há muito desaparecidos no caminhar constante dos tempos, que eu quero deixar aqui, como um lembrete para os seus dias, ignorantes de seus próprios defeitos, e, como um símbolo a você, calcanhar de Aquiles, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

 

POLÍTICO DE LAVRAS

 



- Rumo –



p.257

Na mais cordata e amena atmosfera de amizade e compreensão, vemos correr a campanha política de nossa terra. Como que um exemplo a ser imitado no futuro, por homens que pensam e que almejam a vinda de dias mais amplos, mais explícitos e despovoados de mesquinharias.

 Contemplamos nós duas figuras impolutas, nobres e bem intencionadas, na disputa ao posto máximo da administração municipal: Dr. Sílvio Menicucci e Sr. João Modesto de Souza. É-nos satisfatório admirar a concórdia existente entre os dois candidatos, que na mais viva camaradagem e mesmo pilheriando em alegres e públicos diálogos, nos trazem à mente a retidão de caráter e o respeito mútuo que marcaram como lema para os nossos dias, as guerras dos Cruzados em conquista da Cidade Santa: Ricardo Coração de Leão, soldado destemido e forte,defrontando-se com Saladino, o cavalheiresco, sagaz, calculista e também leal de consciência. No descanso entre duas sangrentas batalhas, encontravam-se amistosamente e passavam mesmo momentos alegres e divertidos, entre ceatas e copos de vinho. Raiando de novo o clamor da luta, despediam-se lealmente, desejando de parte a parte felicidades.

 Quando batida foi a tropa de Ricardo pelos soldados de Saladino, o comandante derrotado procurou o seu adversário para cumprimentá-lo com estas palavras: - A minha derrota foi para mim uma vitória, pois, perdi para um homem que sem despotismo, conhece o ideal da luta e peleja com nobreza e convicção; eis a minha espada!”Ao que respondeu Saladino: - “Embainha a sua espada! A quem poderei eu perder ainda uma batalha, senão a Ricardo Coração de Leão?!”Aí está, povo de Lavras, a que se pode comparar essa disputa política que hoje se nos depara.

 E é por isso, político de minha terra, que eu dedico hoje, esta minha página a você. Contempla a concórdia e a nobreza desses dois gigantes de ideais e procura seguir o seu exemplo. Abandona nas sendas do seu caminho o doentio partidarismo do passado e retira do seu coração qualquer rancor, que por acaso durma em seu interior. Segue os passos dos que conhecem o valor da luta e sabem respeitar os ideais e os pontos de vista adversários. Entretanto, se você ainda se baseia nas páginas já mortas de um passado distante, procura então a sombra da noite para a sua infame e pútrida consciência. Esconda-se dentro de sua própria ignorância, deixando assim de manchar uma página que parece tão clara e tão brilhante para a história de nossa terra.

 Se a sua mente é tão esquálida, que você só possa enxergar, em seus sonhos de retrógrado, as letras do seu partido ou facção, bailando frete aos seus olhos, volve então as suas costas para tudo o que é nobre e chafurda o seu corpo escravo nas cloacas da existência – morada das mentalidades servis e dos traidores infames.

 Se a sua visão é tão mesquinha e tão rasteira que não possa alcançar os rumos leais desta campanha, procura então nas trevas da sua própria incapacidade um refúgio para sua cancerosa e fanática ambição, pois os vermes não pululam à luz do sol, carecem das trevas e do lodo para viver e proliferar.

 Se você se julga capaz, olha para o seu próprio íntimo. Certeza tenho de que o sangue aflorará por vergonha às suas faces. – Acaso os vermes possuem sangue? Nós, os lavrenses que procuramos luz nesses agitados dias, aplaudimos com satisfação essa campanha bem orientada e limpa, que dará a Lavras um governo de que é merecedora.

 Eleva pois a sua mente, povo de minha terra. Vota com liberdade e consciência, ignorando os anátemas impotentes, partidos da podridão do despeito e do fanatismo.

 Queremos ver em Lavras, reviver a história de Ricardo e Saladino, e, por isso, político de lavrense, confiante na sua visão clara e sincera, despovoada de doentios partidarismos, é que eu deixo aqui hoje, com toda a minha franqueza, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

 

ELEITOR LAVRENSE

 



- Rumo –



p.251

Os rumores do próximo pleito eleitoral, que deverá dar a Lavras uma administração escolhida e votada pelo povo, começam já a circular de boca em boca, em hipóteses e cálculos, às vezes arrazoados e outras vezes impregnados de doentio fanatismo partidário.

 Você, eleitor lavrense, que já por duas vezes foi às urnas, dentro da legalidade e da democracia, escolher os candidatos para a administração federal e estadual, deve agora, no mento em que vai ser resolvido o destino de sua terra natal, no momento em que vamos escolher os homens que deverão empunhar a direção de nossa cidade, retirar de seu coração, de seu próprio ser, o vírus da política partidária e medir os candidatos, não pela sua posição ou pelo seu partido, mas sim pelo que eles representam na vida e no progresso de Lavras.

 Você, célula viva de um organismo, deve sufragar nas urnas, não o nome que lhe for apontado pela sua facção, mas sim aquele que a sua consciência ditar e que pelo seu passado, pelo seu ideal e pela sua vontade, aparente a possibilidade de uma administração sadia e bem orientada. Não deixe que o solar de seu domínio seja transposto pelos angariadores de votos, pelos chefetes comprados e prometedores profissionais. Não seja você um instrumento de vingança nas mãos inescrupulosas dos gananciosos fanáticos-apologistas da padrinhagem e da bajulação. Levanta a sua cabeça e ignora a opinião daqueles que nada mais fazem do que incitar uma luta desonesta, de onde se levanta vitoriosa a degeneração e o desbrio de uma comunidade.

 Neste momento, Lavras reclama o seu raciocínio. Volva seus olhos para o passado e contempla o abandono e a vergonha desta terra maltratada pelas mãos negras de retrógrados inertes. Não seja você quem vá permitir a volta de um regime feudal para Lavras, encoberto nas malhas do despeito, saturado de ódios e perseguições. Não se deixe levar por promessas e bajulações há muito conhecidas nas ante-salas dos pleitos eleitorais. Você tem o direito de escolher, como cidadão livre, como parte integrante de uma nação soberana, os homens que deverão empunhar os archotes da administração e marchar à sua frente.

 O valor de um homem não está na sua fortuna ou na sua posição, no seu prestígio e nas suas promessas, mas sim no refolho do seu passado, no seu trabalho e no seu ideal, nas suas obras e na sua sinceridade.

 Um candidato imposto e que aceita, traindo a própria consciência, a sua indicação, é de princípio fadado ao fracasso.

 Aceitar sem refletir, os nomes de agrado dos politiqueiros profissionais, é baixar a cabeça e marchar como um cordeiro sob a vara de um pastor

 É nobre de caráter, sincero e convicto, todo aquele que sabe abrir a sua consciência, vasculhar a sua vontade e escolher o que de melhor lhe aprouver.

 Seja você, eleitor lavrense, dono de sua própria vontade, senhor de seus próprios atos. Lavras precisa do seu voto, mas que seja um voto espontâneo, sincero e refletido.

 Existe um ditado que diz: “CADA POVO TEM O GOVERNO QUE MERECE”. Seja então você, merecedor de um governo democrático e trabalhador, honesto e bem intencionado, seguindo os ditames de sua consciência. Saiba escolher um homem que seja livre sem ser libertino e enérgico sem ser ditador.

 Um só culto merece a adoração; o culto da Liberdade.

 Confiante na sua vontade, na sua dignidade e no seu ideal, é que eu deixo aqui hoje, para você, cidadão lavrense, para você, eleitor de minha terra, com liberdade e certeza, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

 

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

SETE DE SETEMBRO


 



- Luta –



p.245

 

Os clarins da pátria se levantam, num brado uníssono e magnífico, para sagrar a memória daquele bravo e romântico mancebo, que um dia, num arrojo de bravura, levantou a sua espada num gesto soberbo, fazendo correr pelo Brasil afora, de norte a sul, de leste a oeste, o grito varonil de “INDEPENDÊNCIA OU MORTE!” “Às margens plácidas do Ipiranga”, como diz o poeta, os brasileiros, “Ouviram este brado retumbante”. E, deste momento para cá, o Brasil foi livre. Livre em seus próprios rumos. Senhor de meu próprio arbítrio e dono de uma bandeira: “AURI-VERDE PENDÃO DE MINHA TERRA, QUE A BRISA DO BRASIL BEIJA E BALANÇA...” Auriverde pendão que se levanta, em manifestações de júbilo, para sagra a nossa magna data: 7 de setembro!

 Mais um 7 de setembro que passa, contemplando deste Brasil de misérias e abusos, onde os senhores do dinheiro apisoam e matam covardemente a vontade dos livres, numa luta desigual, onde o ouro pesa na balança da degeneração de um povo.

 Num país, onde uma Câmara de Deputados se esquece da massa que a elegeu, abandonando os interesses da comunidade, para, numa vergonhosa seqüência, discutir regras de futebol e apontar faltas particulares entre si.

 Num país, que manda vir da França, morangos silvestres e caviar, em aviões especiais, para os banquetes de homenagens, onde corre a champanhe estrangeira, entre doirados fardões e enfarpeladas casacas.

 Num país, onde o pobre morre à míngua, mendigando uma réstia de sol e de direitos.

 Num país de fome e de banquetes, de padrinhagens e abandonos, de burocracia e de inércia. Onde os tubarões da economia roubam o próprio pão da boca dos operários.

 Num país, que tem um Palácio do Catete, onde se alberga a fartura e o esperdício, a indiferença e a pompa.

 Num país, alcunhado de terra da fartura, sob cuja bandeira vive um povo miserável!

 Num país, como num mundo, diz o poeta (*):

 

“Num mundo em que há migalhas e esperdícios

Pratos cheios de restos enfastiados

E bocas que salivam sem ter pão”

 

“E em que há crianças tristes, maltrapilhas,

Que não terão livros nem recreios

Nem mesmo infância em seu coração;”

 

“Num mundo onde os enfermos são tratados

Com a caridade irônica dos homens

Que são donos dos próprios hospitais;”

“Onde alguns já nasceram infelizes

E hão de viver sem segurança e paz

Sem meios de lutar, abandonados,

E outros – trazem do berço as regalias

Que hão de inutilizar despreocupados;”

 

“Num mundo, onde há mãos cheias, transbordantes,

E há, mendigando, pobres mãos vazias,

Onde há mãos duras, ásperas, cansadas,

E suaves mãos inúteis e macias;”

 

“Onde uns, têm casas grandes, com jardins,

E outros, quartos estreitos, sem janelas;”

 

“Num mundo, onde os artistas prisioneiros

Fazem “roda” nos mesmos quarteirões

Sonhando sempre uma impossível viagem;

E há homens displicentes, nos navios,

Carregando “kodaks” distraídos

Que têm mais almas que os seus olhos frios;”

 

“Num mundo, onde os que podem não têm filhos,

E os que têm filhos, quase sempre lutam

Porque não podem construir um lar;”

 

“Num mundo, onde ao mais leve olhar humano

Vê-se que não há nada em seu lugar,

E onde no entanto, fala-se em Direito,

Em Razão, em Justiça, em Liberdade;”

 

“Num mundo, onde uns jejuam muitos dias

E outros, por vício, muitas vezes comem...

Sinto a angústia fatal de ter nascido

E a suprema VERGONHA de ser homem.”

 

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E é este país; Terra de Santa Cruz, terra de Álvares Cabral, que vê hoje, passar mais um ano de sua emancipação política,ouvindo os lamentos de seus filhos abandonados. Vendo as chagas da miséria, abertas no próprio coração da Pátria, onde nem sequer o direito das primeiras letras é concedido a todos.

 7 DE SETEMBRO! Dia da nossa Independência. Dia da independência de um povo, que tem somente o direito de reclamar, mas nunca o direito de ter. O direito de bradar no deserto, pois os muros dos palácios governamentais são de grossa espessura e os clamores do povo não encontram por onde penetrar.

 

Mas, o Brasil continua a caminhar; caindo aqui e levantando-se ali. Sempre resoluto e esperançoso num amanhã que não pode tardar.

 Os nossos bravos pracinhas, que no velho mundo colheram para nós os louros da vitória, receberam em seus peitos, as doiradas medalhas de heróis – único reconhecimento da pátria do esquecimento. E hoje, quantos deles não estendem as mãos mutiladas, pedindo uma esmola pelo amor de Deus? Enquanto o governo e a pátria,pelos quais lutaram, se fecham nas muralhas do olvido,lançando sobre eles o mando do ostracismo e do abandono.

 Mas, eu creio em você, Brasil. Eu creio no seu reerguimento e quero deixar aqui, para a sua magna data, para você, dia 7 de setembro, com a confiança de um brasileiro que pensa e fala com liberdade, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

 

 

(*) “VERGONHA”, de J. G. de Araújo Jorge

CORREIO DA DISCÓRDIA

  - REPULSA – (p.357)     Os espíritos nos quais a luz não encontra guarida e que vivem numa enferma obscuridade, desconhecendo os...