(Síntese biográfica)
- Mérito –
p.189
Num enlevo supremo, a “Atenas
Mineira”, vê passar hoje o dia magno de nascimento do professor Firmino Costa.
Figura que atravessando os anos, rompendo a caminhada dos tempos, alça-se
magnífica ante os olhos de todos aqueles que lutam pela educação, pela
alfabetização e pelo ensino em nossa terra.
Vulto dos mais brilhantes, o professor
Firmino Costa, soube palmilhar, sem mácula, os caminhos da instrução, num
sublime apostolado, de quem conhece a luta e sabe pelejar a favor de um ideal.
Nascido no Rio de Janeiro, em 28 de
outubro de 1864, Firmino Costa era filho do capitão Antônio José da Costa
Pereira e D. Custódia Maria da Costa.
Desde muito cedo, brotou no seu
coração de moço, o amor e a dedicação pela instrução. Estudou humanidades em
São Paulo, sob a direção dos notáveis professores; Augusto Freire da Silva,
Francisco de Paulo Rodrigues e Dr. John Melchert. Claro de inteligência,
desenvolveu-se com incrível facilidade, obtendo distinções consecutivas. Por
esse tempo, lecionava ele já aos seus colegas de estudo, que viam nele um
verdadeiro batalhador.
Em 1906, no Instituto Evangélico, hoje
Instituto Gammon, iniciou sua carreira magistral. Venerado pelos seus alunos,
dirigia a cadeira de Português e Literatura, ocupando também as mesmas cadeiras
no Colégio Nossa Senhora de Lourdes, onde desenvolveu grandes atividades no
incentivo e na orientação ao estudo. Galgando assim os degraus do merecimento,
foi em 16 de janeiro de 1907, nomeado diretor do Grupo Escolar de Lavras, o
qual tem hoje o seu nome. Com a vontade e o esclarecimento que lhe eram
peculiares, trabalhou incessantemente nesta casa até o ano de 1925, fazendo
dela a mais completa em todo o Estado de Minas; pela sua organização que
compreendia; além do Curso Primário, o ensino técnico de marcenaria,
serralheria, sapataria, costura, arte culinária, horticultura, biblioteca,
museu e assistência escolar. Pelo seu
trabalho, pela sua dedicação, pelo seu esforço, o Grupo Escolar de Lavras,
passou a ser apontado como padrão para todo o estado de Minas.
Firmino Costa pensava com acerto,
quanto ao futuro das crianças pobres que ali recebiam a instrução primária: ao
se terminar o curso, os menos amparados pela fortuna, deixavam os bancos da
escola, com apenas um diploma de alfabetizados, tendo dessa forma, de suportar
trabalhos rudes e de pouca remuneração, sem direitos nem garantias. Tendo então
instituído os cursos práticos profissionais, anexos ao estabelecimento,
forneceu aos deserdados da sorte, a oportunidade de escolher e aprender um
ofício, entregando-lhes desta maneira a certeza de um futuro independente e
nobre. Quantos oficiais de profissão, competentes, forneceu a Lavras o seu
ideal, muito antes que qualquer governo pensasse em ensino profissional, em
todo o território brasileiro.
Ocupou ainda o professor Firmino Costa
os seguintes cargos: Reitor do Ginásio Mineiro de Barbacena, para o que foi
nomeado em 22 de dezembro de 1925; diretor do Curso de Aplicação da Escola
Normal de Belo Horizonte em 1930; membro do conselho superior da Saúde Pública
em 1931; inspetor dos estabelecimentos federais de Ensino Secundário em 1933.
Em todos esses cargos, Firmino Costa soube se impor, com certeza e
inteligência.
Em dezoito relatórios anuais, sobre o
Grupo Escolar de Lavras, os quais foram publicados no “Minas Gerais” e alguns
em separata por iniciativa do governo do Estado, Firmino Costa desenvolveu com
brilhantismo, suas idéias, concernentes à organização do ensino primário,
técnico e normal.
Os seus trabalhos apresentados
anteriormente, criaram-lhe uma atmosfera de confiança, que repercutia em todos
os rincões. Publicou os seguintes trabalhos: “O Ensino Popular”, “O Ensino
Primário”, “Gramática Portuguesa”, “Léxico Gramatical”, “Vocabulário
Analógico”, “O Calendário Escolar”, “Pela Escola Ativa”, “Como Ensinar
Linguagem”, “Pestalozi”, “Aprender a Estudar”, obras consagradas pelos
filólogos e educadores nacionais, além de muitas outras de igual valor. Deixou
ainda por editar dois livros magníficos: “Memorial da Linguagem” e “Edifício da
Vida”.
Batalhador incansável, Firmino Costa
encontrou em D. Alice Bueno Costa a companheira de suas lutas, consorciando-se
com esta em 12 de outubro de 1898, tendo D. Alice falecido em 23 de maio de
1931. Desse consórcio nasceram sete filhos, tendo muitos deles seguido os
passos de Firmino Costa, na carreira educacional.
Lavras, agradecida, guarda no refolho
do seu coração, a figura refulgente deste que soube dedicar a sua vida um nobre
ideal, combatendo a ignorância num verdadeiro apostolado a favor da educação
bem dirigida, trazendo para os infelizes deserdados, além do direito à
alfabetização, as bases de uma profissão sólida e certa.
Morto Firmino Costa, o governo, livre
dos pedidos e das exigências deste grande benfeitor, e desviando o dinheiro da
nação, mais para os banquetes e homenagens de ostentação, que para o amparo e
orientação nacional, deixou que se acabasse, chegando a desaparecer por
completo, o curso prático, anexo ao grupo escolar modelo de todo o estado:
Grupo Escolar Firmino Costa.
Lavras se levanta hoje, para num
preito sincero de gratidão, enviar para o além, numa palavra uníssona, um
“osanas” ao impoluto idealista.
Eu, como admirador da obra deste guia
da instrução, como admirador da sua obra, professor Firmino Costa, quero enviar
daqui, do seio da incompreensão humana, como simples e modesta homenagem à sua
memória imortal, o meu ei...
O MEU EI PARA VOCÊ.
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