domingo, 26 de dezembro de 2021

HOSPITAL VAZ MONTEIRO



- Ode –



p.285

 

Nascido de um sonho bem interpretado e levantado pela inquebrantável vontade de u m elevado ideal, você, Hospital Vaz Monteiro, é hoje uma das jóias que ornam essa velha Santana das Lavras do Funil.

 Brotado da espontaneidade de um espírito de lutas, como é o do Dr. Dilermando Correia Leite, este acalentado ideal galgou com rapidez a escala das coisas reais, plantando-se bem alto no conceito da coletividade; lançando desde ali, mancheias a transbordar de benefícios.

 Como quem, lançando para os céus noturnos o olhar, vislumbrasse através da obscuridade desconhecida, a refulgência da claridade lunar, o Dr. Correia Leite, embora os caminhos fossem também trevosos e desconhecidos, povoados de incertezas e de escolhos, lançou a sua vista por sobre esta interrogação e pousou, com sua imaginação, sobre as pilastras do sonho um ídolo e marchou direito a ele, guiado pelo seu brilho e pelo seu significado, não medindo esforços e clareando a cada passo, mais e mais aquele sendeiro, antes desconhecido e amedrontador. E a caminhada foi heróica e o herói alcançou o seu ídolo.

 Deixando só a meta de partida, o Dr. Correia Leite encontrou pelo caminho, espíritos fortes como o seu. Estes, ao ouvirem de sua boca, num edificar maravilhoso, a vontade de trabalhar e o destemor da luta, se uniram a ele de corpo e alma, caminho a fora, em busca da realidade brilhante que já se fazia vizinha.

 Encontrou o Dr. Correia Leite a compreensão de um Procópio Alvarenga e o amor às boas obras de um Antônio Vaz Monteiro, a quem, uma força maior que a terrena não consentiu visse ele daqui mesmo, o auge do ideal que ajudara a acalentar, reservando-lhe um visor na eternidade, para que ele vislumbrasse e aplaudisse a obra sua e de seus irmãos de lutas.

 E o Hospital, numa metamorfose perfeita e deslumbrante, abandonou os terrenos do sonho, entrando triunfalmente nos campos da realidade.

 E esta obra, em lugar de aplastar, pelo seu fulgor, o nome dos seus idealizadores, os levanta mais e mais, pelo seu trabalho benfeitor e abençoado.

 As mães aflitas encontram no Hospital Vaz Monteiro, um punhado de lenitivo para o seu sofrimento. As criancinhas desvalidas, encontram ali o carinho de um lar. Os pobres encontram o bálsamo ao seu cruciante abandono.

 É para esta obra que honra a cidade de Lavras, para você, Hospital Vaz Monteiro, à memória de seu benemérito, cujo nome encima os seus umbrais, e nas pessoas do Dr. Correia Leite e de Procópio Alvarenga, que eu quero deixar aqui hoje, com a profunda admiração de um lavrense que ama o seu torrão, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

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