Ciranda, cirandinha, vamos todos
cirandar... e com um revoar de pássaros canoros, aí está, buliçosa e alegre a
infância de minha terra, enchendo com os gorjeios de sua cândida inocência, os
ares desta Lavras velha e esburacada, como se as mãos da vida rasgassem
prematuramente em suas faces os sulcos da velhice, alçando nas azas da
ampulheta do tempo, o vôo até o ocaso do progresso, onde dormem solitárias as
águas do esquecimento e do marasmo de administrações mal orientadas.
Ciranda, cirandinha, vamos todos
cirandar... cantam as vozes infantis, como outrora cantei também pelas
tortuosas ruas desta Santana do Funil, enquanto meus antecessores clamavam por
uma administração consciente, que apagasse o pó de nossas vias, que trouxesse
água até nossas casas e iluminasse as noites de nossa terra. E o marasmo imperava;
imperava e impera ainda na sucessão constante, inconsciente e irresponsável,
que sempre cobriu com seu manto letárgico as cabeças de governantes
apadrinhados, que recebem nas mãos a direção de uma comunidade, como se
recebessem um brinquedo, afeto às suas vontades, no qual pudessem vingar os
seus momentos de ira, destroçando-o.
Ciranda, cirandinha, vamos todos
cirandar... será que se torna necessário arrancar da infância toda a inocência
que coroa suas cabecinha mimosas e indiferentes, ensinando-lhe outras melodias,
saturadas de irresponsabilidade, e de ira, de ansiedade e de rancor?! Será
necessário transformar em mais um brado aliado ao nosso, as vozes tenras das
criancinhas,para que, mudando o diapasão ou aumentando-lhe a intensidade, os
poderes públicos voltem seus olhos para as nossas necessidades?! Será
necessário mostrar desde já aos homens de amanhã, o quanto espinhosa e árdua se
trona a luta por compreendidos ideais?! Não, nunca! Deixemos a infância, com
sua candura ignorar a luta, até que seu dia desponte para isso e ela então
brade como nós, por um futuro mais certo e mais progressista.
Infância de minha terra! Eu creio no
seu futuro por uma Lavras melhor; entretanto, agora, eu quero somente ouvir na
inocência da sua voz, uma ária que me traz saudades: ...ciranda, cirandinha,
vamos todos cirandar... e é para você, infância alegre e buliçosa da minha
querida Lavras, que eu deixo aqui hoje comovidamente, o meu ei...
O MEU EI PARA VOCÊ.
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