1.
- Rumo –
p.263
Procuremos no íntimo do mais nobre
homem, vasculhemos a sua vida, o seu passado. Ponhamos fixa atenção em seus
próprios gestos de altaneria e bondade e veremos brotar, como que boiando acima
de todos os seus esforços, o seu ponto fraco, vulnerável e falho.
O homem nasceu de um erro, para esse
outro grande erro que é a existência. Foi posto no mundo com milhares de
caminhos a se bifurcarem à sua frente. Alguns deles levando quase à perfeição,
alguns mais, conduzindo à vida sem anormalidades, como que uma vegetação
obscura, sem interesse e sem malícia. Ignorando a prática do bem e a profissão
do mal. E, outros muitos, arrastando com encantos demoníacos para o lado negro
e sórdido da existência; pelas sendas do crime, do roubo e da infâmia.
Entretanto, quantos ingênuos se julgam
iluminados. Crêem mesmo que a sua vida é u m exemplo. Sem erro e sem malícia,
sem mentira e sem pecado. Ingênuos que se plantam em expectativa, no degrau
mais baixo da existência, esquecendo-se do seu lado fraco e insincero, para
dali apreciar os que, por mais capacidade, galgam a escala do merecimento. E,
este corrompido de inveja, repisado de maldades, anota em sua mente
destruidora, a vulnerabilidade daquele que sobre, esquecendo-se do lado sincero
e nobre e apontando as suas fraquezas, as suas quedas, as suas desditas.
Procurando ver em cada passo mais para cima, fraquejar o calcanhar de Aquiles.
Lavras contempla, já o disse uma vez,
a subida de dois homens de valor e honra na escala espinhosa da política.
Cidadãos que possuindo também, como qualquer outro, a face fraca e vulnerável,
se agigantam em atos de nobreza e merecimento.
Contemplemos o lado claro e bom do Dr.
Sílvio Menicucci: quando sendeiro percorrido em demanda do bem e do direito.
Quanto gesto de desprendimento e sinceridade, brota de seu peito moço e bem
intencionado.
Olhemos agora a face iluminada do ser
João Modesto de Souza: que brilhantes feitos. Que trabalhador incansável e
profícuo. Que ideais alevantados, que espírito bom e bem orientado.
Volvamos agora os nossos olhos e
vislumbremos os caçadores de defeitos e desenterradores de fraquezas: lá estão
eles ao pé da escada, maldizendo, assentados sobre seus próprios e imundos
rabos, um ou outro ato de fraqueza ou de inverdade. Ferrotoando os ouvidos do
povo com intrigas vergonhosas e trazendo à baila fatos íntimos, que pouco ou
nada têm a ver com o espírito de administração que povoa os dois grandes
candidatos.
Olhemos a vida pelo prisma inverso ao
da maldade. Procuremos encontrar e apontar nos homens os seus feitos de nobreza
de caráter. Façamos surdos os nossos ouvidos para os uivos servis das
camarilhas confusionistas e difamatórias. Abandonemos à beira do caminho, como
a cães pestilentos e hidrófobos, os apontadores de erros e ignorantes do
merecimento. Marchemos assim, sem a imundície da mentira e da infâmia. Sejamos
donos de nossa própria opinião.
A vida compreende o presente e o
futuro, não se vive das recordações do passado. Até o próprio criminoso
redimido ao tomar o caminho do bem, merece o nosso respeito e a nossa
admiração.
Todos nós temos dentro de nós mesmos,
um ou mais pontos de fácil vulnerabilidade.
E é apontando para vocês, caçadores de
maus feitos, desenterradores de cadáveres putrefatos, há muito desaparecidos no
caminhar constante dos tempos, que eu quero deixar aqui, como um lembrete para
os seus dias, ignorantes de seus próprios defeitos, e, como um símbolo a você,
calcanhar de Aquiles, o meu ei...
O MEU EI PARA VOCÊ.
Nenhum comentário:
Postar um comentário