quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

CALCANHAR DE AQUILES

 

1.   

 



- Rumo –



p.263

Procuremos no íntimo do mais nobre homem, vasculhemos a sua vida, o seu passado. Ponhamos fixa atenção em seus próprios gestos de altaneria e bondade e veremos brotar, como que boiando acima de todos os seus esforços, o seu ponto fraco, vulnerável e falho.

 O homem nasceu de um erro, para esse outro grande erro que é a existência. Foi posto no mundo com milhares de caminhos a se bifurcarem à sua frente. Alguns deles levando quase à perfeição, alguns mais, conduzindo à vida sem anormalidades, como que uma vegetação obscura, sem interesse e sem malícia. Ignorando a prática do bem e a profissão do mal. E, outros muitos, arrastando com encantos demoníacos para o lado negro e sórdido da existência; pelas sendas do crime, do roubo e da infâmia.

 Entretanto, quantos ingênuos se julgam iluminados. Crêem mesmo que a sua vida é u m exemplo. Sem erro e sem malícia, sem mentira e sem pecado. Ingênuos que se plantam em expectativa, no degrau mais baixo da existência, esquecendo-se do seu lado fraco e insincero, para dali apreciar os que, por mais capacidade, galgam a escala do merecimento. E, este corrompido de inveja, repisado de maldades, anota em sua mente destruidora, a vulnerabilidade daquele que sobre, esquecendo-se do lado sincero e nobre e apontando as suas fraquezas, as suas quedas, as suas desditas. Procurando ver em cada passo mais para cima, fraquejar o calcanhar de Aquiles.

 Lavras contempla, já o disse uma vez, a subida de dois homens de valor e honra na escala espinhosa da política. Cidadãos que possuindo também, como qualquer outro, a face fraca e vulnerável, se agigantam em atos de nobreza e merecimento.

 Contemplemos o lado claro e bom do Dr. Sílvio Menicucci: quando sendeiro percorrido em demanda do bem e do direito. Quanto gesto de desprendimento e sinceridade, brota de seu peito moço e bem intencionado.

 Olhemos agora a face iluminada do ser João Modesto de Souza: que brilhantes feitos. Que trabalhador incansável e profícuo. Que ideais alevantados, que espírito bom e bem orientado.

 Volvamos agora os nossos olhos e vislumbremos os caçadores de defeitos e desenterradores de fraquezas: lá estão eles ao pé da escada, maldizendo, assentados sobre seus próprios e imundos rabos, um ou outro ato de fraqueza ou de inverdade. Ferrotoando os ouvidos do povo com intrigas vergonhosas e trazendo à baila fatos íntimos, que pouco ou nada têm a ver com o espírito de administração que povoa os dois grandes candidatos.

 Olhemos a vida pelo prisma inverso ao da maldade. Procuremos encontrar e apontar nos homens os seus feitos de nobreza de caráter. Façamos surdos os nossos ouvidos para os uivos servis das camarilhas confusionistas e difamatórias. Abandonemos à beira do caminho, como a cães pestilentos e hidrófobos, os apontadores de erros e ignorantes do merecimento. Marchemos assim, sem a imundície da mentira e da infâmia. Sejamos donos de nossa própria opinião.

 A vida compreende o presente e o futuro, não se vive das recordações do passado. Até o próprio criminoso redimido ao tomar o caminho do bem, merece o nosso respeito e a nossa admiração.

 Todos nós temos dentro de nós mesmos, um ou mais pontos de fácil vulnerabilidade.

 E é apontando para vocês, caçadores de maus feitos, desenterradores de cadáveres putrefatos, há muito desaparecidos no caminhar constante dos tempos, que eu quero deixar aqui, como um lembrete para os seus dias, ignorantes de seus próprios defeitos, e, como um símbolo a você, calcanhar de Aquiles, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

 

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