Os espíritos nos quais a luz não
encontra guarida e que vivem numa enferma obscuridade, desconhecendo os gestos
de sinceridade e franqueza que formam a verdadeira vida, vegetam numa atmosfera
de infâmias e maldades, alheios ao direito, à verdade e à liberdade.
Eu me dirijo hoje a você, correio da
discórdia, a você, mensageiro gratuito da mentira, a você, covarde verme que se
oculta nas trevas nojentas o anonimato, desenvolvendo uma trama vergonhosa de
leva e traz, como que um alcoviteiro de bordéis.
Você talvez conviva comigo,
mostrando-se à minha frente com aparências de amigo e companheiro. Você talvez,
quem sabe? Já recebeu das minhas mãos algum benefício e não me queira perdoar
por tê-lo ajudado em suas desditas.
O meu nome, desprezível traidor da
verdade, não se coroa com louros de prestígio ou de riqueza. Não possuo a
efeméride da pompa fictícia. Não sou galardoado com sangue de doiradas
descendências, mas apresento-lhe a minha vida, as minhas palavras, os meus
atos, o meu próprio nome, para que você aponte neles algum estigma de inverdade
e de incerteza. Tenho para os meus dias um lema que acima de qualquer riqueza
ou prestígio material, guia todos os meus instantes, para você isso talvez seja
desconhecido; é o lema do orgulho e da honra. Orgulho de possuir uma opinião
toda minha, inquebrantável e pessoal. Orgulho, afinal de ser livre. Acima
disto, mensageiro da infâmia, possua a honra de ser sincero, a honra de ser
franco e positivo, a honra de ter moldado o meu espírito num molde superior,
alheio às sordícias do meio em que vegeta a sua esquálida consciência.
As amizades que tenho, ingênuo
difamador, não poucas mas são sinceras. Já que você se morde por contemplar-me
independente em meus desígnios, abandona o meu lado, mas saiba fazê-lo com brio
e decência, pois na própria discórdia necessitamos da sinceridade. Cerra a sua
boca de escravo comprado, procura também tornar livre o seu espírito, pois, só
assim poderá você conhecer a honra e o orgulho. O seu papel de mensageiro da
mentira em torno do meu nome, materialmente pobre, mas rico de sinceridade e de
franqueza, nada mais demonstra que uma inferioridade espiritual e intelectual,
procurando com infâmias, remover a sombra que se projeta sobre os seus dias,
com altaneria e indiferença. Procura viver a sua vida dentro do seu meio, já
que a sua pobreza espiritual o proíbe de alçar vôo até posições mais livres.
Ainda mais; desejo ter a honra de
desconhecê-lo, meu insincero amigo, mas abandona esse caminho incerto. Sempre é
tempo para viver às claras.
Esperando que as minhas palavras
possam induzi-lo a sendeiros mais iluminados, eu quero deixar aqui, para você,
inimigo da sinceridade, para você, correio da discórdia, com indiferença, o meu
ei...
O MEU EI PARA VOCÊ.
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