sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

MESINHA DE CAFÉ

  



- Luta –



p.269

 

Como que num apanhado geral dos acontecimentos de cada dia, abrem-se em torno de você, num linguajar inescrupuloso, os engrossadores de boatos, forjadores de infâmias e envenenadores do espírito pouco esclarecido do povo.

 Numa constância assustadora, saltam de suas bocas cridas e pagas para a discórdia, nomes impolutos e sem mácula, arrastados no lodo da vergonha e do desbrio, pelas imprecações derrotistas, saturadas da mais surda inveja.

 Em sua volta, mesinha de café, corrompem-se as mais pudorosas honras, apedrejam-se as mais merecedoras mercês, difamam-se os mais sinceros lares, forjam-se as mais descabidas mentiras. Terá tudo isto a sua razão de ser, perguntamos nós? Alguns dirão que sim, pois dentro da política a infâmia chama-se estratégia. As traições apelidam-se de conversões. O desbrio chama-se tato, a desonra sacrifício.

 O que em épocas normais seria mais baixo que o mais putrefato miasma, eleva-se a altura de verdadeiros “slogans”, ganha terreno dentro da verdadeira honra. O que era crime transforma-se em virtude e os virtuosos coram-se de vergonha. As palavras e os atos se bifurcam, as contradições se avolumam e caminham os vermes abrindo passo na escuridão, medrosos da luz do sol.

 Se você tivesse alma, mesinha de café, se você sentisse dentro da sua frialdade material um sopro de vida, certeza tenho de que fugiria do meio dessa baixa escória de humanidade que a rodeia.

 Se você, além da vida tivesse braços, ouviríamos então o estalar de um bofetão na face negra da mentira, escorraçando do seu aconchego essa corja de vendedores de palavras e bajuladores interesseiros que em detrimento da verdade, do direito e da liberdade, cultuam e pregam a mentira, a infâmia, a covardia e a traição.

 Esse amealhado de vendilhões rasteiros, se esquece da sua própria corrupção, da sua própria baixeza, para atirar contra aqueles que lutam por dias mais claros, dentro das sendas da verdade.

 Esses profetas da vergonha, serão sepultados sob o peso das ruínas dessas muralhas de lama, em cujo topo profetizam.

 A verdade aplastará com sua refulgência as trevas da infâmia. O direito arrebentará as cadeias da incompreensão e dará o seu vitorioso grito de Osanas à liberdade!

 Amanhã, mesinha de café, passados estes momentos de indecisão e de palavras baratas, você verá os mesmos imbecis olhando a situação por outro prisma, numa contradição vergonhosa.

 E é por isso, tablado de reuniões, é por isso, mesinha de café, que eu hoje quero dedicar a você, com toda a minha franqueza e a minha sinceridade, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

 

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