- Luta –
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Como que num apanhado geral dos
acontecimentos de cada dia, abrem-se em torno de você, num linguajar
inescrupuloso, os engrossadores de boatos, forjadores de infâmias e
envenenadores do espírito pouco esclarecido do povo.
Numa constância assustadora, saltam de
suas bocas cridas e pagas para a discórdia, nomes impolutos e sem mácula,
arrastados no lodo da vergonha e do desbrio, pelas imprecações derrotistas,
saturadas da mais surda inveja.
Em sua volta, mesinha de café,
corrompem-se as mais pudorosas honras, apedrejam-se as mais merecedoras mercês,
difamam-se os mais sinceros lares, forjam-se as mais descabidas mentiras. Terá
tudo isto a sua razão de ser, perguntamos nós? Alguns dirão que sim, pois
dentro da política a infâmia chama-se estratégia. As traições apelidam-se de
conversões. O desbrio chama-se tato, a desonra sacrifício.
O que em épocas normais seria mais
baixo que o mais putrefato miasma, eleva-se a altura de verdadeiros “slogans”, ganha
terreno dentro da verdadeira honra. O que era crime transforma-se em virtude e
os virtuosos coram-se de vergonha. As palavras e os atos se bifurcam, as
contradições se avolumam e caminham os vermes abrindo passo na escuridão,
medrosos da luz do sol.
Se você tivesse alma, mesinha de café,
se você sentisse dentro da sua frialdade material um sopro de vida, certeza
tenho de que fugiria do meio dessa baixa escória de humanidade que a rodeia.
Se você, além da vida tivesse braços,
ouviríamos então o estalar de um bofetão na face negra da mentira, escorraçando
do seu aconchego essa corja de vendedores de palavras e bajuladores
interesseiros que em detrimento da verdade, do direito e da liberdade, cultuam
e pregam a mentira, a infâmia, a covardia e a traição.
Esse amealhado de vendilhões
rasteiros, se esquece da sua própria corrupção, da sua própria baixeza, para
atirar contra aqueles que lutam por dias mais claros, dentro das sendas da
verdade.
Esses profetas da vergonha, serão
sepultados sob o peso das ruínas dessas muralhas de lama, em cujo topo
profetizam.
A verdade aplastará com sua
refulgência as trevas da infâmia. O direito arrebentará as cadeias da
incompreensão e dará o seu vitorioso grito de Osanas à liberdade!
Amanhã, mesinha de café, passados
estes momentos de indecisão e de palavras baratas, você verá os mesmos imbecis
olhando a situação por outro prisma, numa contradição vergonhosa.
E é por isso, tablado de reuniões, é
por isso, mesinha de café, que eu hoje quero dedicar a você, com toda a minha
franqueza e a minha sinceridade, o meu ei...
O MEU EI PARA VOCÊ.
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