- Mérito –
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Artista, é todo aquele que ao contacto
com os eflúvios da arte pura e construtiva, sente vibrar em seu ser o desejo de
cooperar e de fornecer um átomo que seja para o engrandecimento e glória de um
ideal.
A visão clara e a compreensão
perfeita, são os sigmas que brotam do próprio coração da arte, para bordar os
nobres atos dos verdadeiros artistas.
Artista é todo aquele que cria, que
produz, que inspira ou que alimenta, até o possível, as chamas de ideais de
construção, de alevantamento e de progresso.
Os discípulos do Parnaso, tangendo as
suas liras, transformam a banal conversação cotidiana e a existência incerta do
habitante terreno; sua obra, suas lutas, suas fraquezas, em hinos ritmados,
onde cantam as vozes de todas as melodias pela garganta de todas as eras.
O mágico buril da espiritualização,
cortando e moldando o granito material da vida, faz dele a sublime apoteose de
auroras resplandecentes.
O pintor, cobrindo tosca tela com
multicores camadas de tinta, transporta para a imortalidade as faces da própria
vida, numa concepção que desconhece fronteiras, alargando a sua palheta,
buscando as lágrimas da miséria e do desamparo, o riso da indiferença e a
gargalhada feliz, o gemido do sofrimento e o brado de vitória, na perpetuação
concreta de obras indescritíveis.
O músico que, tangendo as cordas de um
violino ou vibrando as telas de um plano, nos eleva ao mais alto pináculo da
emoção, de onde se olha a existência pelos puros prismas espirituais, que têm o
seu nascedouro nas entranhas da própria divindade, traduz em ondas vibrantes,
nas mãos da fantasia, a vida de um mundo desigual.
E é sempre o artista, sempre o criador
e o idealista que manejando um pincel ou tangendo um instrumento musical,
entalhando uma dura rocha ou compondo líricos versos, sente de alguma maneira o
bafejo de um ideal e se oferece com o desprendimento e desinteresse dos espíritos
luminosos, para cooperar sem ambição própria, no alevantamento e progresso
futuro desse irmão de seus próprios sentimentos, na mais perfeita e integral
afinidade de pensamento e vontade.
E você, Zazá, como exímia e inspirada
artista, filha desta terra que é muito nossa, sentiu a emoção que a todos nós
assalta, de manter e levantar no coração da nossa Lavras, uma fonte de cultura
para a grandeza de um futuro não muito longínquo. E a sua cooperação,
espontânea e bondosa se fez mostrar, transbordante de boa vontade, em gestos
que dispensam qualquer citação.
Criado nesta emissora, que nasceu do
povo para o próprio interesse da coletividade, temos o livro da cooperação,
onde escrevemos com letras indeléveis, os nomes daqueles que nos sabem
compreender. E o seu nome entra hoje para estas páginas, Zazá Vilela Menicucci,
como um diadema de ouro, forjado no coração do próprio merecimento, encimado
com o cumprimento máximo e mais cordial de nossa terra; aqui fica para você,
sublime artista, com a minha admiração, o meu ei...
O MEU EI PARA VOCÊ.
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