terça-feira, 7 de dezembro de 2021

MEU ESPÍRITO VAZIO

 



- Divagação –



p.129

 

 

Dias existem em que a nossa mente se transborda em motivos diversos e não sabemos sobre qual deles escrever alguma coisa. Os assuntos brotam aos borbotões, deixando-nos atordoados e titubeantes; indecisos na escolha do melhor ou interessante, mais atual ou mais rico de recursos. Entretanto, dias existem também, que nos sentimos vazios e ausentes, isolados em um verdadeiro deserto, buscando um oásis intelectual e nem miragens se nos apresentam. Aí então divagamos dentro de nós mesmo, tentando, no estudo psíquico da autocontemplação, arrancar alguma coisa de útil e interessante, de atual e inédito, entretanto, só conseguimos ver, chagado pelos caminhos da vida, o nosso espírito, ora sequioso de glórias, lutando por uma réstia de sol a mais, ora desanimado e triste, indiferente à sua própria sorte, desinteressado de sua própria existência.

 Por entre o espocar de soluços e o derramar de lágrimas deste autoestudo espiritual, ouvimos às vezes um riso de mofa ou uma gargalhada irônica.

 É o imaterial que zomba de seus próprios sonhos, como o canto de um escravo, que contemplando as cadeias que o tolhem, que o ferem e matam. Sonha com a grandeza de um porvir impossível e derrama sobre os grilhões da impossibilidade o seu pranto de servo, semeado de impropérios e frutificado de dor, na ânsia do ódio e da miséria.

 Contemplamos no espelho de nós mesmos, esse desigual combate entre o cérebro e o espírito. O primeiro, visionário e resoluto, pronto a enfrentar obstáculos, quebrar mitos e fantasias. O segundo realista e medroso, dobrando-se num misto de dor e respeito, ante o fantasma do passado, agrilhoado às correntes de sua própria existência, sofrendo a dor de sua própria vida, na incompreensão mundana, onde o ouro compra e arrasta a mortalha da degeneração universal.

 E, nessas divagações dentro de mim mesmo, eu deixo aqui, para você e sua falta de assuntos, meu espírito vazio, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

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