-Luta-
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Se a luz da razão estrugisse de
repente em todos os cérebros, em todos os corações, fornecendo a cada um as
páginas claras do direito, da verdade e da liberdade, ouvir-se-ia do coração da
própria terra um brado de “osanas” e o Supremo Criador, lá das alturas
desprenderia suas mãos chagadas para aplaudir em delírio a compreensão e o
raciocínio de seus filhos.
Se todos os homens tivessem a sua
própria opinião e não a opinião imposta pelo outro e pela ganância, pela
bajulação sórdida e pela gratidão efêmera, o mundo marcharia às claras,sem o
vírus putrefato do mando e da obediência, da imposição e do servilismo.
Ter liberdade de pensamentos, num
mundo de líderes açambarcadores, é incriminar-se contra o arbítrio dos
potentados.
Num mundo, onde somente u’a meia dúzia
de galardoados têm o direito de pensar e apontar, a reflexão do povo é um crime
sem perdão.
Aceitar sem discutir; eis o direito do
povo. Impor sem consultar; eis a liberdade do líder.
Aplaudir sem compreender; eis a
obrigação da massa. Compreender e não aceitar; eis o direito do líder.
Liberdade de pensamentos: honra dos
potentados – crime da coletividade.
Direito da traição: Política do mando.
Traição do direito: vontade da
imposição.
O direito de errar é do povo, mas o
erro do direito pertence ao líder.
Matar sem crime, é alçada dos
mandatários. Incriminar-se sem matar, é a pena da coletividade.
Levantar com o sangue da massa o seu
nome; eis o direito que pertence ao líder. Lutar sem recompensa; eis a
obrigação do povo.
Seguir como um rebanho de ovelhas, o
caminho apontado pelos líderes, seja qual for a meta imposta; é dever do povo
sem opinião.
Mostrar o ponto e derramar o sangue,
sem que os tentáculos da justiça alcancem os seus domínios, é liberdade do
mando.
E é neste mundo de misérias e
esperdícios, de covardias e traições, que vive esse povo ludibriado pela
adulação, enxovalhado pela infâmia e escravizado pelo pensamento e vontade de
poucos.
Se o ser livre é um crime nas leis da
degeneração universal, eu sou um criminoso nato e sem perdão, merecedor da
forca ou do pelourinho, pois a minha cabeça não se dobra ao peso dos chicotes
governamentais e nem a minha palavra se alia à escravização e à vontade dos
engalanados profissionais do mando.
Minha palavra foi, é e será sempre uma
espada, forjada no âmago da liberdade, para a sua própria defesa. E eu sou um
homem livre, livre na mais alta concepção da palavra, pois a liberdade
material, para quem pensa e opina, é um mito, frente à verdadeira e luminosa
liberdade de pensamentos e de espírito.
Procurando no fundo de cada um dos que
impõem a sua vontade, não medindo o direito dos que o cercam, veremos pulular o
pútrido miasma do servilismo e da ganância, pois todo carrasco é também um
escravo, mais vil ainda que os escravos de senzala.
E é dentro dessa divagação impotente,
contra o vírus da obediência descabida e a indignidade do abuso autoritário,
que eu, soltando mais um falcão do meu direito, quero deixar aqui, para esse
mito fantasista, para você, liberdade de pensamentos, sonho de mentes livres, o
meu ei...
O MEU EI PARA VOCÊ.
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