quarta-feira, 24 de novembro de 2021

LIBERDADE DE PENSAMENTO


 

-Luta-

 

p.29

 

 

Se a luz da razão estrugisse de repente em todos os cérebros, em todos os corações, fornecendo a cada um as páginas claras do direito, da verdade e da liberdade, ouvir-se-ia do coração da própria terra um brado de “osanas” e o Supremo Criador, lá das alturas desprenderia suas mãos chagadas para aplaudir em delírio a compreensão e o raciocínio de seus filhos.

 Se todos os homens tivessem a sua própria opinião e não a opinião imposta pelo outro e pela ganância, pela bajulação sórdida e pela gratidão efêmera, o mundo marcharia às claras,sem o vírus putrefato do mando e da obediência, da imposição e do servilismo.

 Ter liberdade de pensamentos, num mundo de líderes açambarcadores, é incriminar-se contra o arbítrio dos potentados.

 Num mundo, onde somente u’a meia dúzia de galardoados têm o direito de pensar e apontar, a reflexão do povo é um crime sem perdão.

 Aceitar sem discutir; eis o direito do povo. Impor sem consultar; eis a liberdade do líder.

 Aplaudir sem compreender; eis a obrigação da massa. Compreender e não aceitar; eis o direito do líder.

 Liberdade de pensamentos: honra dos potentados – crime da coletividade.

 Direito da traição: Política do mando.

 Traição do direito: vontade da imposição.

 O direito de errar é do povo, mas o erro do direito pertence ao líder.

 Matar sem crime, é alçada dos mandatários. Incriminar-se sem matar, é a pena da coletividade.

 Levantar com o sangue da massa o seu nome; eis o direito que pertence ao líder. Lutar sem recompensa; eis a obrigação do povo.

 Seguir como um rebanho de ovelhas, o caminho apontado pelos líderes, seja qual for a meta imposta; é dever do povo sem opinião.

 Mostrar o ponto e derramar o sangue, sem que os tentáculos da justiça alcancem os seus domínios, é liberdade do mando.

 E é neste mundo de misérias e esperdícios, de covardias e traições, que vive esse povo ludibriado pela adulação, enxovalhado pela infâmia e escravizado pelo pensamento e vontade de poucos.

 Se o ser livre é um crime nas leis da degeneração universal, eu sou um criminoso nato e sem perdão, merecedor da forca ou do pelourinho, pois a minha cabeça não se dobra ao peso dos chicotes governamentais e nem a minha palavra se alia à escravização e à vontade dos engalanados profissionais do mando.

 Minha palavra foi, é e será sempre uma espada, forjada no âmago da liberdade, para a sua própria defesa. E eu sou um homem livre, livre na mais alta concepção da palavra, pois a liberdade material, para quem pensa e opina, é um mito, frente à verdadeira e luminosa liberdade de pensamentos e de espírito.

 Procurando no fundo de cada um dos que impõem a sua vontade, não medindo o direito dos que o cercam, veremos pulular o pútrido miasma do servilismo e da ganância, pois todo carrasco é também um escravo, mais vil ainda que os escravos de senzala.

 E é dentro dessa divagação impotente, contra o vírus da obediência descabida e a indignidade do abuso autoritário, que eu, soltando mais um falcão do meu direito, quero deixar aqui, para esse mito fantasista, para você, liberdade de pensamentos, sonho de mentes livres, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

 

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