terça-feira, 21 de dezembro de 2021

PUNHAL DE BRUTUS

 



- Luta –





p.227

 

 

Um braço que se ergue para tirar a vida a um tirano, nunca poderá ser chamado assassino.

 

...........................

...........................

..........................

 

 

Quando, na sombra das colunas do Fórum Romano, o punhal de Brutus baixou direito ao coração de César, não foi somente para tirar a existência de um homem, mas sim para libertar uma pátria inteira do misticismo e da covardia, da impiedade e da vergonha.

 Um punhal se levantou uma vez em nossa pátria, para ferir, não como o de Brutus a favor da liberdade, mas sim surgido das trevas da ganância e da traição, da trama vergonhosa de u ma politicalha imunda, emaranhando nas teias da intriga e da infâmia, um homem, que embora impotente, se debatia por dias melhores para uma pátria de degenerados profissionais do mando.

 Achicalhado pela populaça comprada, pela opinião ludibriada e traído pelos fardões da ostentação que o cercavam, deixou um dia o nosso Brasil, um homem de espírito nobre, embora falho como todos os homens de governo que até agora possuímos, mas, dono de uma mentalidade patriótica e democrata, para dar lugar ao festim da incompetência, que por quinze anos assolou essa pátria infeliz e enganada.

 Foi numa tarde quente de agosto; deixava o Palácio do Catete o presidente Washington Luiz. Partia para o desterro, expulso de sua própria terra – a bem da pátria – diziam os engalanados ministros. E, que brotaria dessa revolução,pelejada com símbolos de liberdade, alicerçada em normas de direito? Uma nova era de paz e de concórdia – pensava o povo. Novos horizontes de progresso e de fartura – acalentava a coletividade.

 E daquela revolução de heróis, daquele sorvedouro de vidas, surgiu sorridente um homem; vinha dos Pampas sulinos, trazia uma bagagem de promessas para novos dias, trazia palavras de ânimo e de carinho para todos os brasileiros. Era Getúlio Dorneles Vargas. Sob a modéstia de seus modos e a acolhedora confiança do seu sorriso, trazia o vírus tenebroso da ostentação e da padrinhagem, da ditadura e da traição. Colocando mão de ferro sobre os desígnios do Brasil, traçou a seu modo o futuro de miséria e vergonha para o povo. Abriu os cofres da nação e deu início à representação das mil uma noites de esbanjamentos e bajulações. Colocou mordaça na boca do povo. Traiu e desterrou os amigos da liberdade, criou cargos para os amigos e parentes, construiu palacetes e cassinos, esqueceu-se das escolas e dos hospitais, decretou a miséria e o esperdício, a fome da coletividade e a fartura dos potentados. E tivemos então a derrocada do direito a favor do misticismo e da imposição. Quinze anos de vergonhas, sob o cínico sorriso getuliano. Mas, os tempos passaram e o povo se cansou da mordaça que o tolhia. Infelizmente não tivemos o punhal de Brutus, para sacar a vida a esse fantoche mistificador, nem sequer o desterro lhe foi imposto. Continua ele a viver no meio dos brasileiros, com a sua mentalidade cancerosa e mesquinha.

 Este homem merece a lei de Brutus e bendita seja a mão que se erga contra ele.

 Agora, sob o regime da liberdade, Washington Luiz volta ao nosso meio: Cabeça alevantada e nobre, sob os aplausos da massa que um dia o expulsou, par em seu lugar colocar o pai e responsável pelas misérias do Brasil.

 Washington Luiz volta ao seu solo pátrio, com um toldo de íntima satisfação a cobrir-lhe a face. Entretanto, aqui encontra ele, o homem que traiu o povo do Brasil, o ditador que amordaçou a imprensa, o fantoche que perseguiu a liberdade, sorrindo numa cadeira de senador.

 Unindo a minha voz ao júbilo de todos os brasileiros que amam a liberdade, eu quero dizer aqui, para você, democrata Washington Luiz, que existem ainda em nossa pátria homens que pugnam pelo direito e pela verdade, e, a quem a sua volta trouxe um bafejo forte de esperanças.

 Quanto a César, que ocupa ainda uma cadeira nos pináculos da nação,eu espero do povo do Brasil, a cobrança de um erro imperdoável e quero deixar aqui, para aquele que há de vingar a coletividade, para você, punhal de Brutus, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

CORREIO DA DISCÓRDIA

  - REPULSA – (p.357)     Os espíritos nos quais a luz não encontra guarida e que vivem numa enferma obscuridade, desconhecendo os...