- Luta –
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Um braço que se ergue para tirar a
vida a um tirano, nunca poderá ser chamado assassino.
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Quando, na sombra das colunas do Fórum
Romano, o punhal de Brutus baixou direito ao coração de César, não foi somente
para tirar a existência de um homem, mas sim para libertar uma pátria inteira
do misticismo e da covardia, da impiedade e da vergonha.
Um punhal se levantou uma vez em nossa
pátria, para ferir, não como o de Brutus a favor da liberdade, mas sim surgido
das trevas da ganância e da traição, da trama vergonhosa de u ma politicalha
imunda, emaranhando nas teias da intriga e da infâmia, um homem, que embora
impotente, se debatia por dias melhores para uma pátria de degenerados
profissionais do mando.
Achicalhado pela populaça comprada,
pela opinião ludibriada e traído pelos fardões da ostentação que o cercavam,
deixou um dia o nosso Brasil, um homem de espírito nobre, embora falho como
todos os homens de governo que até agora possuímos, mas, dono de uma
mentalidade patriótica e democrata, para dar lugar ao festim da incompetência,
que por quinze anos assolou essa pátria infeliz e enganada.
Foi numa tarde quente de agosto;
deixava o Palácio do Catete o presidente Washington Luiz. Partia para o
desterro, expulso de sua própria terra – a bem da pátria – diziam os
engalanados ministros. E, que brotaria dessa revolução,pelejada com símbolos de
liberdade, alicerçada em normas de direito? Uma nova era de paz e de concórdia
– pensava o povo. Novos horizontes de progresso e de fartura – acalentava a
coletividade.
E daquela revolução de heróis, daquele
sorvedouro de vidas, surgiu sorridente um homem; vinha dos Pampas sulinos,
trazia uma bagagem de promessas para novos dias, trazia palavras de ânimo e de
carinho para todos os brasileiros. Era Getúlio Dorneles Vargas. Sob a modéstia
de seus modos e a acolhedora confiança do seu sorriso, trazia o vírus tenebroso
da ostentação e da padrinhagem, da ditadura e da traição. Colocando mão de
ferro sobre os desígnios do Brasil, traçou a seu modo o futuro de miséria e
vergonha para o povo. Abriu os cofres da nação e deu início à representação das
mil uma noites de esbanjamentos e bajulações. Colocou mordaça na boca do povo.
Traiu e desterrou os amigos da liberdade, criou cargos para os amigos e
parentes, construiu palacetes e cassinos, esqueceu-se das escolas e dos
hospitais, decretou a miséria e o esperdício, a fome da coletividade e a
fartura dos potentados. E tivemos então a derrocada do direito a favor do
misticismo e da imposição. Quinze anos de vergonhas, sob o cínico sorriso
getuliano. Mas, os tempos passaram e o povo se cansou da mordaça que o tolhia.
Infelizmente não tivemos o punhal de Brutus, para sacar a vida a esse fantoche
mistificador, nem sequer o desterro lhe foi imposto. Continua ele a viver no
meio dos brasileiros, com a sua mentalidade cancerosa e mesquinha.
Este homem merece a lei de Brutus e
bendita seja a mão que se erga contra ele.
Agora, sob o regime da liberdade,
Washington Luiz volta ao nosso meio: Cabeça alevantada e nobre, sob os aplausos
da massa que um dia o expulsou, par em seu lugar colocar o pai e responsável
pelas misérias do Brasil.
Washington Luiz volta ao seu solo
pátrio, com um toldo de íntima satisfação a cobrir-lhe a face. Entretanto, aqui
encontra ele, o homem que traiu o povo do Brasil, o ditador que amordaçou a
imprensa, o fantoche que perseguiu a liberdade, sorrindo numa cadeira de
senador.
Unindo a minha voz ao júbilo de todos
os brasileiros que amam a liberdade, eu quero dizer aqui, para você, democrata
Washington Luiz, que existem ainda em nossa pátria homens que pugnam pelo
direito e pela verdade, e, a quem a sua volta trouxe um bafejo forte de
esperanças.
Quanto a César, que ocupa ainda uma
cadeira nos pináculos da nação,eu espero do povo do Brasil, a cobrança de um
erro imperdoável e quero deixar aqui, para aquele que há de vingar a
coletividade, para você, punhal de Brutus, o meu ei...
O MEU EI PARA VOCÊ.
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