- Homenagem –
p. 155
Quando soou nos céus do Brasil o grito
de democracia, foi como que o brado de um Hércules, brotado do coração das
trevas ditatoriais, reboando de rincão em rincão, de quebrada em quebrada,
lançando luz sobre o desespero cego do nosso povo, despertando ideais
agrilhoados nas cadeias da imposição e rompendo as ergástulas da escravidão
moral, que nos cobria com o lodoso manto da tirania autoritária. E o Brasil se
ergueu, ainda fraco da moléstia que o assolou e da qual ainda convalesce, aos
gritos de liberdade que encheram os céus e atravessaram as suas fronteiras,
perdendo-se no infinito ou ecoando por todo o mundo, na voz das nações
democráticas, que ansiavam pela volta de nossa pátria, ao aconchego livre dos
povos de vontade.
E o Brasil se ergueu, se ergueu e
caminha hoje, lutando com os obstáculos que a sórdida era getuliana espalhou
pelos seus sendeiros, dificultando em todos os setores a marcha para o futuro. Entretanto,
dia após dia e mês após mês, numa árdua batalha de renascimento, caminha nossa
pátria; irremovível em seus anseios de liberdade e forte na remoção das
escórias ditatoriais, que de tempo em tempo se fazem ouvir, como um coaxar de
sapos nojentos que se arrastam na lama da impotência, cheias as bocas de
impropérios e vazios os espíritos de ideais, sonhando com os áureos dias
passados, quando uma palavra de seu senhor significava uma lei e quando a um
piscar de olhos, o alimento das populações sofredoras se transformavam em ouro
para a construção de cassinos e palácios. Quando o suor dos honrados laboristas
enchia os seus banquetes de ostentação, de um luxo e esperdício, comparáveis às
comemorações de um “rei sol” ou de u ma Cleópatra, dissolvendo em cristalina
taça de vinho as pérolas da dor, que custaram a vida de mergulhadores escravos.
Mas, já vai longe o tempo da imposição e César impotente, varado pelo punhal
livre de Brutus, contorce-se na agonia da morte, contemplando entre o expulsar
de gemidos débeis, a marcha vitoriosa do povo até os horizontes da vontade,
onde o livre arbítrio reergueu a sua fortaleza, nas indestrutíveis rochas do
direito, nos braços fortes da liberdade.
E, nessa luta constante e altaneira,
caminha o Brasil para um porvir que há de ser grande e livre, glorioso e
triunfal. De degrau em degrau, galgando a escada da verdade, até aos píncaros
da refulgente vitória.
Minas Gerais, pedaço decisivo nos
destinos do Brasil, deposita hoje na balança do direito, mais um peso a favor
da liberdade. Toma posse o nosso governador. Alçado ao palácio do estado, antes
manchado pela baba nojenta de um tentáculo ditatorial, para dali dirigir, pela
nossa própria vontade, como timoneiro certo, os nossos anseios até o norte da
vida livre e honesta, onde impera a vontade sobre a imposição e a liberdade de
pensamentos e palavras sobre as normas de retórica e bajulação, que coroam
sempre as cabeças imerecedoras e pisam sempre as gargantas da verdade.
Toma posse hoje no governo do estado
de Minas Gerais, o Dr. Milton Soares Campos. Cidadão culto e honrado, reto de
caráter e pleno de liberdade. Eleito pela vontade do nosso povo e empossado
pela confiança dos nossos corações. E, nesse dia de júbilo para o nosso estado,
Milton Campos recebe em suas mãos a responsabilidade dos nossos destinos, ao
mesmo tempo em que recebe também da natureza, aqui juntinho à nossa terra, em
Ribeirão Vermelho, um quadro pintado com lágrimas de sofrimento e emoldurado
com soluços de desamparo. Contempla o amargo colorido desta visão horrenda,
quando as águas do rio Grande, enfurecidas e avolumadas, devoram e sepultam uma
comunidade inteira, contempla com atenção, num detalhado e minucioso estudo,
como um problema a mais entre as prementes necessidades nossas.
Milton Soares Campos, por entre o
júbilo de Minas Gerais, por entre a alegria da nossa gente, nós lhe oferecemos
este quadro de dor que a natureza pintou nas plagas de Ribeirão Vermelho,
confiantes na grandeza do seu coração e na retidão do seu caráter, esperançosos
e convictos nos desígnios da sua compreensão.
Lavras lhe oferece também, Milton
Soares Campos, o seu aplauso quente e o seu apoio sincero, certa de sua
inteligência, que há de levar o nosso estado até à refulgência concreta de um
futuro de grandezas.
E eu, aqui do meu cantinho humilde,
pelas ondas da Cultura D’Oeste, digno presidente do estado de Minas Gerais,
ofereço com sinceridade e admiração, com Júbilo e esperança, o meu ei...
O MEU EI PARA VOCÊ.
Nenhum comentário:
Postar um comentário