-Mérito-
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Másculo braço que se erguendo, como
que rompendo o peito do infinito, lançasse além do azul dolente e diáfano dos
céus, um punhado de fumaça, salpicada de miríades luminosas de carvão e
derramasse sobre as encostas desse rincão um sol, líquido e refulgente, fundido
nos altos fornos do progresso futuro.
Pulsos de aço que rasgando trocos
virgens de matas intocadas, transformam a rude e primitiva natura em obras de
arte, buriladas nas mãos mecânicas, que entoam no seu rodar constante, o hino
do trabalho, coroado pelos lauréis sudorosos de um porvir mais certo.
Preguiçosas moendas que gemem,
arrancando a doce seiva de canaviais imensos baloiçantes à brisa de tardes
outonais, enquanto a bocarra insaciável de fornalhas famintas, devoram em
chamas de fúlgido cobre carradas de ressequida lenha, para a metamorfose
milagrosa do baço caldo em cristalino açúcar.
Rodas imensas, rompendo com a aurora e
cantando sempre, dias após dia e noite após noite, desfiram capulhos alvos de
algodão, transformando em tecidos multicores um tênue fruto, desabrochado como
auréola de neve, corando as frondes verdes da natureza.
E no alto, no centro e nos cantos.
Serrando, fundindo ou moldando, tecendo ou pintando, trabalha a indústria
lavrense, vitoriosa já na sua labuta incessante.
É para a indústria desta terra, para
você, industrial lavrense, que eu deixo aqui o meu ei...
O MEU EI PARA VOCÊ.
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