domingo, 5 de dezembro de 2021

INDUSTRIAL LAVRENSE

 

-Mérito-

 

p.113

 

 

Másculo braço que se erguendo, como que rompendo o peito do infinito, lançasse além do azul dolente e diáfano dos céus, um punhado de fumaça, salpicada de miríades luminosas de carvão e derramasse sobre as encostas desse rincão um sol, líquido e refulgente, fundido nos altos fornos do progresso futuro.

 Pulsos de aço que rasgando trocos virgens de matas intocadas, transformam a rude e primitiva natura em obras de arte, buriladas nas mãos mecânicas, que entoam no seu rodar constante, o hino do trabalho, coroado pelos lauréis sudorosos de um porvir mais certo.

 Preguiçosas moendas que gemem, arrancando a doce seiva de canaviais imensos baloiçantes à brisa de tardes outonais, enquanto a bocarra insaciável de fornalhas famintas, devoram em chamas de fúlgido cobre carradas de ressequida lenha, para a metamorfose milagrosa do baço caldo em cristalino açúcar.

 Rodas imensas, rompendo com a aurora e cantando sempre, dias após dia e noite após noite, desfiram capulhos alvos de algodão, transformando em tecidos multicores um tênue fruto, desabrochado como auréola de neve, corando as frondes verdes da natureza.

 E no alto, no centro e nos cantos. Serrando, fundindo ou moldando, tecendo ou pintando, trabalha a indústria lavrense, vitoriosa já na sua labuta incessante.

 É para a indústria desta terra, para você, industrial lavrense, que eu deixo aqui o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



 

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