segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

ELETRICISTA LAVRENSE

  



- Ode –



p.215

 

Numa sucessão constante e ininterrupta no alto posto administrativo da cidade de Lavras, nós contemplamos, num desfolhar perene da história de nossa terra, uma burocracia pomposa e infrutífera, saturada da maior e mais surda inércia, embalada nos braços de uma padrinhagem aberta e descabido, enquanto o clamor lavrense de velhas esperanças insatisfeitas, reboa desde há muitos anos, pairando como uma nuvem de sonhos impossíveis.

 Entre as necessidades prementes de nossa terra, colocamos em primeiro plano a falta de energia elétrica, que pouco ou nenhum interesse despertou até agora no espírito dos nossos administradores.

 Gerada em uma usina antiquada, deficiente e mal instalada e conduzida por um emaranhado de fios velhos, remendados aqui e acolá, sobre postes vergados e sem alinhamento, a nossa energia elétrica, instalada pelo método confuso, mais parece um quebra-cabeças do que uma rede de força e luz.

 As indústrias sacrificam-se constantemente, a nossa iluminação se assemelha a u ma imperfeita ornamentação de lanterninhas chinesas, pontilhando palidamente as esburacadas ruas da velha Lavras. E nós, com imprecações e palavras de ofensa, generalizando mesmo, muitas vezes nos esquecemos de um exército de meia dúzia de homens, que lutando dia após dia e noite trás noite, arriscando a própria vida nesta teia infernal, enfrenta temporais para nos assegurar, se bem que deficiente, a iluminação das nossas noites. É esse heróico exército, mal remunerado e mal armado, que rompendo dificuldades na conservação e manutenção da nossa força elétrica, opera verdadeiros milagres.

 É ao corpo de eletricistas de Lavras que eu hoje me dirijo. A esses heróicos soldados do silêncio, comandados pelo dever, que não têm hora para trabalhar e dormem um sono de sobressaltos, saindo a qualquer momento para resolver mais uma equação dessa matemática emaranhada e confusa que é a nossa força elétrica. A esses abnegados e obscuros servidores da nossa terra, nós devemos nos descobrir com respeito e admiração, pois, a eles devemos, tão somente a eles, ainda uma fagulha de luz em nossas noites.

 E é a você, soldado do silêncio, batalhador da obscuridade, incompreendido trabalhador da nossa terra, milagroso eletricista lavrense, que eu ofereço a condecoração máxima dessa emissora do povo. Com admiração e respeito, aqui fica o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



 

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