- Ode –
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Numa sucessão constante e ininterrupta
no alto posto administrativo da cidade de Lavras, nós contemplamos, num
desfolhar perene da história de nossa terra, uma burocracia pomposa e
infrutífera, saturada da maior e mais surda inércia, embalada nos braços de uma
padrinhagem aberta e descabido, enquanto o clamor lavrense de velhas esperanças
insatisfeitas, reboa desde há muitos anos, pairando como uma nuvem de sonhos
impossíveis.
Entre as necessidades prementes de
nossa terra, colocamos em primeiro plano a falta de energia elétrica, que pouco
ou nenhum interesse despertou até agora no espírito dos nossos administradores.
Gerada em uma usina antiquada,
deficiente e mal instalada e conduzida por um emaranhado de fios velhos,
remendados aqui e acolá, sobre postes vergados e sem alinhamento, a nossa
energia elétrica, instalada pelo método confuso, mais parece um quebra-cabeças
do que uma rede de força e luz.
As indústrias sacrificam-se
constantemente, a nossa iluminação se assemelha a u ma imperfeita ornamentação
de lanterninhas chinesas, pontilhando palidamente as esburacadas ruas da velha
Lavras. E nós, com imprecações e palavras de ofensa, generalizando mesmo,
muitas vezes nos esquecemos de um exército de meia dúzia de homens, que lutando
dia após dia e noite trás noite, arriscando a própria vida nesta teia infernal,
enfrenta temporais para nos assegurar, se bem que deficiente, a iluminação das
nossas noites. É esse heróico exército, mal remunerado e mal armado, que
rompendo dificuldades na conservação e manutenção da nossa força elétrica,
opera verdadeiros milagres.
É ao corpo de eletricistas de Lavras
que eu hoje me dirijo. A esses heróicos soldados do silêncio, comandados pelo
dever, que não têm hora para trabalhar e dormem um sono de sobressaltos, saindo
a qualquer momento para resolver mais uma equação dessa matemática emaranhada e
confusa que é a nossa força elétrica. A esses abnegados e obscuros servidores
da nossa terra, nós devemos nos descobrir com respeito e admiração, pois, a
eles devemos, tão somente a eles, ainda uma fagulha de luz em nossas noites.
E é a você, soldado do silêncio,
batalhador da obscuridade, incompreendido trabalhador da nossa terra, milagroso
eletricista lavrense, que eu ofereço a condecoração máxima dessa emissora do
povo. Com admiração e respeito, aqui fica o meu ei...
O MEU EI PARA VOCÊ.
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