-Luta-
p.57
Necessário se torna ainda em nosso
país, para que possamos ter confiança nos destinos da pátria brasileira, de um
expurgo minucioso e bem dirigido, que venha extirpar do nosso meio as
mentalidades obscuras, que se vendem ao peso do ouro estrangeiro.
Demonstrado está, que a lavoura em
nossa terra, deixou de ser o que foi em outros tempos: a principal fonte de
renda.
Transmudando-se do terreno agrícola para
o terreno industrial, marchamos a passo de tartaruga. Vemos uma usina
siderúrgica que poderia ser uma das primeiras em todo o mundo, localizada em
Volta Redonda, no estado do Rio, longe do minério e do carvão, produzindo um
mínimo da sua capacidade – ganância política dos bem alimentados profissionais
do mando, que, ao auscultar as necessidades da nação, colocam em primeiro lugar
a mão sobre o próprio estômago. Homens abdominais, inconscientes usurpadores do
direito de um povo – e Volta Redonda, que poderia hoje suprir o consumo interno
e exportar em alta escala, arrasta-se impotente em sua má localização.
Surge agora, rompendo a crosta de
nossa pátria, em jorros infindos, o negro ouro líquido – mola das indústrias –
petróleo para a nossa emancipação econômica. E que acontece? Já os políticos
improvisados, aproveitadores de legendas e da boa fé do povo, ávidos de outro e
saturados de indiferença, tentam erguer em seus braços esta última esperança e
entregá-la ao estrangeiro. Míseros espoliadores de uma pátria infeliz, que
vendem a sua própria honra ao ouro exterior, olhando para dentro de si mesmos e
pouco se importando com a coletividade e com os destinos da terra que os
alimenta, com fartura, podemos dizer, pois para isso morrem de fome os menos
iluminados.
Já as refinarias norte-americanas
entulham de ações as mãos de um punhado de vermes das altas rodas
governamentais; comprando votos na Câmara dos Deputados. E que podemos nós,
simples e obscuros cidadãos desta pátria vendida, fazer contra a vontade dos
enfarpelados mercenários da administração, que repartem o próprio chão da
pátria aos prometedores que monopolizam o direito de ter? Assunto deste
quilate, não deveria encontrar guarida entre as paredes da câmara. Expulsos
daquele recinto e colocados nas mãos de uma justiça de ferro, deveriam ser os
desabridos vendedores da honra e da vontade do povo.
O petróleo brasileiro nasce em nosso
próprio solo, como um grito de esperança de um moribundo que se retorce nas
mãos da morte. Por que então entregá-lo ao monopólio norte-americano, perdendo
assim o direito que temos e de que necessitamos mesmo, para o reerguimento
econômico de nossa pátria? Um moribundo não vende o remédio que pode tornar-lhe
à vida.
Que os brados de todos os brasileiros
se unam em uma só vontade, contra as mesquinhas sanguessugas do nosso direito,
para derruí-los e sufocá-los em sua ganância desmedida.
Com a confiança de um brasileiro que
almeja para o seu solo o direito de um elevado posto no conceito universal, eu
quero deixar aqui, para você, PETRÓLEO DO BRASIL, esperança de melhores dias, o
meu ei...
O MEU EI PARA VOCÊ.
Nenhum comentário:
Postar um comentário