domingo, 28 de novembro de 2021

PETRÓLEO DO BRASIL


 -Luta-

 

p.57

 

 

Necessário se torna ainda em nosso país, para que possamos ter confiança nos destinos da pátria brasileira, de um expurgo minucioso e bem dirigido, que venha extirpar do nosso meio as mentalidades obscuras, que se vendem ao peso do ouro estrangeiro.

 Demonstrado está, que a lavoura em nossa terra, deixou de ser o que foi em outros tempos: a principal fonte de renda.

 Transmudando-se do terreno agrícola para o terreno industrial, marchamos a passo de tartaruga. Vemos uma usina siderúrgica que poderia ser uma das primeiras em todo o mundo, localizada em Volta Redonda, no estado do Rio, longe do minério e do carvão, produzindo um mínimo da sua capacidade – ganância política dos bem alimentados profissionais do mando, que, ao auscultar as necessidades da nação, colocam em primeiro lugar a mão sobre o próprio estômago. Homens abdominais, inconscientes usurpadores do direito de um povo – e Volta Redonda, que poderia hoje suprir o consumo interno e exportar em alta escala, arrasta-se impotente em sua má localização.

 Surge agora, rompendo a crosta de nossa pátria, em jorros infindos, o negro ouro líquido – mola das indústrias – petróleo para a nossa emancipação econômica. E que acontece? Já os políticos improvisados, aproveitadores de legendas e da boa fé do povo, ávidos de outro e saturados de indiferença, tentam erguer em seus braços esta última esperança e entregá-la ao estrangeiro. Míseros espoliadores de uma pátria infeliz, que vendem a sua própria honra ao ouro exterior, olhando para dentro de si mesmos e pouco se importando com a coletividade e com os destinos da terra que os alimenta, com fartura, podemos dizer, pois para isso morrem de fome os menos iluminados.

 Já as refinarias norte-americanas entulham de ações as mãos de um punhado de vermes das altas rodas governamentais; comprando votos na Câmara dos Deputados. E que podemos nós, simples e obscuros cidadãos desta pátria vendida, fazer contra a vontade dos enfarpelados mercenários da administração, que repartem o próprio chão da pátria aos prometedores que monopolizam o direito de ter? Assunto deste quilate, não deveria encontrar guarida entre as paredes da câmara. Expulsos daquele recinto e colocados nas mãos de uma justiça de ferro, deveriam ser os desabridos vendedores da honra e da vontade do povo.

 O petróleo brasileiro nasce em nosso próprio solo, como um grito de esperança de um moribundo que se retorce nas mãos da morte. Por que então entregá-lo ao monopólio norte-americano, perdendo assim o direito que temos e de que necessitamos mesmo, para o reerguimento econômico de nossa pátria? Um moribundo não vende o remédio que pode tornar-lhe à vida.

 Que os brados de todos os brasileiros se unam em uma só vontade, contra as mesquinhas sanguessugas do nosso direito, para derruí-los e sufocá-los em sua ganância desmedida.

 Com a confiança de um brasileiro que almeja para o seu solo o direito de um elevado posto no conceito universal, eu quero deixar aqui, para você, PETRÓLEO DO BRASIL, esperança de melhores dias, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

 

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