sexta-feira, 26 de novembro de 2021

ESPADA DE BOLÍVAR

 

 

-Luta-

 

p.49

 

 

Alçando-se num arrojo de bravura, como que brotada do próprio âmago da liberdade, você, espada de Bolívar, arrancou das mãos da imposição os destinos de muitos povos latino-americanos, para lançá-los no caminho do direito e do livre arbítrio.

 Você, flama ardente da justiça, lançou o seu gume libertador sobre a cabeça da tirania, decapitando-a aos pés da liberdade, rendendo assim o seu sagrado culto ao ideal de nobres mentes.

 Você, incompreendida batalhadora da verdade, galgou serras e atravessou fronteiras, rompeu mitos e estraçalhou cadeias. Entretanto, os mesmo pulsos ontem libertados pela sua força, se erguem de todos os lados, de todos os rincões, para aplaudir os decadentes césares de uma era de desbrio e vergonha. As mesmas cabeças, um dia erguidas pela sua luta, dobram-se outra vez, sob o estalido dos chicotes anglo-saxônicos.

 Essa raça de servos natos e adoradores dos grilhões da escravidão, procura nas trevas de sua própria ignorância, a mão que a açoita, para nela depositar o seu beijo de agradecimento e respeito. – Tristes farrapos de pátrias despedaçadas e vendidas por públicas moedas, no mercado da ganância universal.

 Os mesmos braços que um dia se ergueram para aplaudir a sua obra, hoje se voltam contra você, indignados com a sua intromissão, que tirou deles o direito de ser escravos e de receber na própria face o ósculo de Judas, que campeia até hoje em todas as terras, procurando onde depositar a sua baba infame e nojenta da traição e do desbrio...

 O Remorso, em outros tempos tão forte e resoluto, dorme agora abandonado nas trevas do esquecimento, por não mais encontrar guarida nos corações dos traidores. No mundo de hoje, a traição tem outro nome, legalizado pelo interesse e a ganância. Chama-se: GOLPE POLÍTICO.

 Nos nossos dias, “a mão que afaga é a mesma que esbofeteia”. O escravo não perdoa jamais o braço que rompeu os seus grilhões e o mendigo se esquece do lar que o acolheu, voltando um dia para atirar pedras sobre as cabeças que o ampararam. – Ignorando-se a servidão do escravo, fugimos de um bofetão.

 Mas, por sobre todas as vergonhas e podridões morais que povoam os nossos dias, existem ainda aqueles que amam a direito e a liberdade e que pugnam pela sua vitória. Existem ainda os corações agradecidos que contemplam deste imundo lodo, a luminosidade da sua obra, heróica espada de Bolívar, seguindo, se não com o corpo, mas com o espírito e a palavra, os caminhos que você traçou nos sendeiros da verdade.

 Quando os homens chegarem a compreender o valor e a honra do direito e a liberdade for alguma coisa mais que uma palavra, você ocupará então o posto triunfal de que é merecedora, sobre os pedestais da glória, que serão levantados com sangue da tirania.

 Confiante nos seus desígnios, contemplando a réstia de luz de seu gume, que ainda ilumina muitos horizontes, eu quero deixar aqui, para você, símbolo da liberdade, para você, espada de Bolívar, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



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