Arrancados do seio profundo da terra,
os minérios em bruto são lançados ao fogo dos altos fornos, de onde brota. Num
fio brilhante, em toda a sua pureza, o metal candente e vivo, pronto para o
aproveitamento do homem. Entretanto, ao verificarmos, veremos nascer também dos
mesmos fornos uma escória imprestável para a industrialização e útil somente
para se misturar ao esterco e lançar-se sobre a terra.
Nos fornos da vida, onde se forjam as
mentalidades claras e elevadas, vemos também surgir num monturo disforme a
escória humana, que pela simples razão de nascer da mesma matéria, julga-se
muitas vezes capaz de acompanhar os passos daqueles que trazem no sangue a
têmpera da luta e da honradez.
Nascidas de início dentro dos mesmos
princípios de formação, as mentalidades humanas, ao penetrarem na forja da
vida, se definem e tomam os seus diferentes rumos. Uns procuram os caminhos da
verdade e do direito, da liberdade e da honra. Outros adormecem nas trevas da
inanição, esquecidos ou ignorantes do “por que” da existência, contentando-se
somente em olhar o momento em que vivem, num desprezo imenso pelo futuro. A
estes a comunidade ignora. São matérias inertes como quaisquer outras,
arrastadas para cima ou para baixo, ao sabor das correntezas. Outros mais, na
sua maioria mesmo, caminham através das espessas sombras que cobrem baixezas da
existência. São os impotentes para as lides e para os ideais. São os gananciosos,
são os escravos voluntários, são os déspotas e os tiranos, são os césares e as
afrodites. É o roubo e a servidão, é Nero e Calígula, é a imposição e o crime,
é a prostituição e a vergonha. É o apólogo do desbrio e a perseguição da
verdade. O culto da tirania e o ódio à liberdade. É a traição do direito a
favor da infâmia. É a desigualdade da luta pelo bem de poucos. É Lázaro
ressuscitado esbofeteando a face do Senhor. É o fratricídio pelo poder.
Da pura têmpera do ideal, vemos brotar
a honra e a igualdade, o trabalho e o brio. É a luta e a liberdade, o direito e
a sinceridade. É Bolívar e San Martín, é Washington e Tiradentes, Isabel e
Vargas Vila, Zumbi e Patrocínio, Castro Alves e Felipe dos Santos. É a verdade
imortal, é a vida pelos semelhantes, é o sangue contra a servidão, é a palavra
pela igualdade, é o nome pela honra e a revolta contra a imposição.
E a escória, imunda, impotente e
presunçosa, não sabe fazer um paralelo entre a sua vergonha, entre a sua
incapacidade e a decência dos apologistas e soldados da verdade. Incapazes de
abrir luta sob a luz, se acobertam nas trevas da traição e da infâmia, em
emboscadas imundas, movidos pela inveja e pelo despeito.
E é para você, monturo disforme da
humanidade, para você, como um símbolo, escória de Thomas, que eu hoje ofereço,
com desprezo e asco, o meu ei...
O MEU EI PARA VOCÊ.
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