sábado, 4 de dezembro de 2021

POVO DE RIBEIRÃO VERMELHO



-Luta-



p.105

 

Pisando o solo de minha terra em seu próprio solo, Ribeirão Vermelho, eu sinto o aconchego amigo e leal de um povo livre e trabalhador, que pensa e opina, colhendo nos sendeiros da luta cotidiana os louros refulgentes de um labor são e construtivo.

 Falar de voe, povo de Ribeirão Vermelho, é falar do operário brasileiro, que labuta pela grandeza desta terra, que sendo nossa não nos pertence. É falar da classe base do Brasil, que entrega o suor de seu rosto pelo pão de cada dia, sem as vistas do reconhecimento governamental. É falar de uma classe nobre e esquecida, heróica e desamparada. É falar desse batalhão de retaguarda, que peleja uma guerra branca, a favor da nossa emancipação, recebendo pelo seu trabalho, pela sua luta, o silêncio e a ingratidão.

 Falar do operário brasileiro, é tocar nas pedras do alicerce pelas quais os potentados açambarcadores galgam os degraus da fama efêmera e da riqueza letárgica. O fruto do seu trabalho, soldado do silêncio, é recolhido pelas mãos inescrupulosas dos monopolizadores do direito, que abarrotam arcas e levantam nomes, constroem castelos e desconhecem a luta.

 Vivemos numa época, povo de Ribeirão Vermelho, em que, cada um dos calos nas mãos dos operários, significa um prato a mais nos banquetes da nação. Cada gota de suor, vertida de seu rosto, é mais uma taça de champagne erguida nas mãos dos bajuladores profissionais.

 Trazendo aqui hoje a homenagem de Lavras, eu trago também a minha palavra, embora impotente e falha, mas saturada do mais ferrenho amor à liberdade e transbordante da mais sincera franqueza.

 Dentro desta luta incompreendida a favor do direito, eu atravesso os mitos da vida e os preconceitos sociais, procurando no aconchego dos corações sonhadores, um pouco para a minha jornada infrutífera, uma palavra de ânimo para o meu espírito solitário, que batalha com denodo, embora fraco, a favor da liberdade.

 Eu espero, povo de Ribeirão Vermelho, encontrar no refolho do seu coração a acolhida a essa campanha inglória que abracei e pela qual eu arrosto a perseguição dos traidores da verdade e sofro a dilapidação infame dos difamadores irresponsáveis. Os ataques até agora partidos contra mim, têm atingido somente as minhas costas, pois eles são brotados das trevas da ignorância e da covardia e falta-lhes brio e decência para aparecer à luz clara da verdade e pelejar frente a frente com os brados da justiça e da liberdade.

 Eu crio no seu espírito de nobre batalhador, povo heróico de Ribeirão Vermelho e quero deixar aqui hoje, para você, como símbolo de minha bandeira amiga e sincera, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



 

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