-Luta-
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Pisando o solo de minha terra em seu
próprio solo, Ribeirão Vermelho, eu sinto o aconchego amigo e leal de um povo
livre e trabalhador, que pensa e opina, colhendo nos sendeiros da luta
cotidiana os louros refulgentes de um labor são e construtivo.
Falar de voe, povo de Ribeirão
Vermelho, é falar do operário brasileiro, que labuta pela grandeza desta terra,
que sendo nossa não nos pertence. É falar da classe base do Brasil, que entrega
o suor de seu rosto pelo pão de cada dia, sem as vistas do reconhecimento
governamental. É falar de uma classe nobre e esquecida, heróica e desamparada.
É falar desse batalhão de retaguarda, que peleja uma guerra branca, a favor da
nossa emancipação, recebendo pelo seu trabalho, pela sua luta, o silêncio e a
ingratidão.
Falar do operário brasileiro, é tocar
nas pedras do alicerce pelas quais os potentados açambarcadores galgam os
degraus da fama efêmera e da riqueza letárgica. O fruto do seu trabalho,
soldado do silêncio, é recolhido pelas mãos inescrupulosas dos monopolizadores
do direito, que abarrotam arcas e levantam nomes, constroem castelos e
desconhecem a luta.
Vivemos numa época, povo de Ribeirão
Vermelho, em que, cada um dos calos nas mãos dos operários, significa um prato
a mais nos banquetes da nação. Cada gota de suor, vertida de seu rosto, é mais
uma taça de champagne erguida nas mãos dos bajuladores profissionais.
Trazendo aqui hoje a homenagem de
Lavras, eu trago também a minha palavra, embora impotente e falha, mas saturada
do mais ferrenho amor à liberdade e transbordante da mais sincera franqueza.
Dentro desta luta incompreendida a
favor do direito, eu atravesso os mitos da vida e os preconceitos sociais,
procurando no aconchego dos corações sonhadores, um pouco para a minha jornada
infrutífera, uma palavra de ânimo para o meu espírito solitário, que batalha
com denodo, embora fraco, a favor da liberdade.
Eu espero, povo de Ribeirão Vermelho,
encontrar no refolho do seu coração a acolhida a essa campanha inglória que
abracei e pela qual eu arrosto a perseguição dos traidores da verdade e sofro a
dilapidação infame dos difamadores irresponsáveis. Os ataques até agora
partidos contra mim, têm atingido somente as minhas costas, pois eles são
brotados das trevas da ignorância e da covardia e falta-lhes brio e decência
para aparecer à luz clara da verdade e pelejar frente a frente com os brados da
justiça e da liberdade.
Eu crio no seu espírito de nobre
batalhador, povo heróico de Ribeirão Vermelho e quero deixar aqui hoje, para
você, como símbolo de minha bandeira amiga e sincera, o meu ei...
O MEU EI PARA VOCÊ.
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