- Direito –
p.181
De sol a sol, sob a canícula
escaldante, dia após dia, açoitado pelos temporais tempestuosos, vendo e
medindo o dia em toda a sua plenitude; do despontar luminoso da aurora, como
uma corola de luz que desabrocha nos rochosos píncaros dos montes agrestes, até
o morrer do dia no horizonte em negros véus diáfanos, cobre pudorosamente o
corpo desnudo da terra e o astro-rei se debruça ensangüentado, como se
procurasse abrigo no próprio coração de montanhas encantadas.
Você, pulso de aço da sobrevivência
presente, base irredutível da grandeza futura, puxando resolutamente a sua
enxada ou rasgando com seu arado as áridas terras deste rincão impoluto, nos
garante para um bem próximo porvir, a certeza de uma Lavras mais próspera, mais
farta e mais livre.
Você, lavrador lavrense, que arranca
com denodo, do seio quase estéril deste solo, o sustento de potentados e
pseudo-feudos estacionadores, recebe como único prêmio, a ingratidão e o
desprezo, a maledicência e a incompreensão dos que, julgando fazer esmolas, lhe
entregam uma terra pobre e infecunda, exigindo de você o trabalho escravizador
de servos mal remunerados.
Entretanto, trabalhador da minha
terra, um brado de direitos já se faz mostrar no horizonte da bonança, como um
bálsamo de luz, ornando as frontes da justiça. E, há de vir para o seu meio,
trazendo o espírito da compreensão e do civismo, da igualdade e do direito, da
bondade e do reconhecimento.
Com o peito saturado de sinceridade, o
coração cheio de ideais e a mente alevantada, eu creio no seu futuro de glórias
e direitos, lavrador lavrense.
Confiante, aqui deixo o meu ei...
O MEU EI PARA VOCÊ.
Nenhum comentário:
Postar um comentário