terça-feira, 21 de dezembro de 2021

INCERTO DIA DE AMANHÃ

 

 



- Desafio –





p.237

 

 

Ao se empunhar o baluarte da luta por um ideal, tomamos para o nosso próprio “eu”, a responsabilidade de conduzi-lo, por todos os terrenos, em meio de todas as tempestades e contra todos os obstáculos.

 Empunhei uma vez o pendão da batalha, por esse ideal que é grande e majestoso, forte e fulgurante: RÁDIO CULTURA D’OESTE. Marchei com todas as minhas forças, batalhei com todo o meu denodo, entreguei-me a ele com todo o meu coração. Ofereci a esta realização o todo de melhor que o meu esforço de sonhador pudesse produzir. Galguei com esta emissora os seus penhascos de glória ,arrastei-me com ela na aridez de sua incapacidade. E em todos os rincões, em todos os campos, em todos os momentos, eu mantive erguido o seu baluarte, já algumas vezes galardoado nas sendas do trabalho e algumas vezes apedrejado nas trevas da incompreensão. Sofri com resignação e orgulho os pensamentos derrotistas. Ouvi o meu nome, manchado pela baba nojenta dos incapazes para a luta, rodar na boca da ignorância. Senti os dardos da covardia a se cravarem em minhas costas. De emboscada em emboscada, lutei sempre à luz clara da verdade. Os ataques que partiram contra mim, vieram de sussurros medrosos, brotados do lodo e da podridão, do despeito e da covardia. Os meus gratuitos inimigos, a quem tenho a honra e o brio de ignorar, nunca chegaram a atacar-me pela frente, pois os vermes fogem da luz e a luz da verdade poderia cegá-los.

 Ao me afastar da minha querida Rádio Cultura, não desertei dos campos da luta. Continuei, com esforço ainda, a erguer o seu baluarte. Sorri nas suas vitórias e sofri com as suas derrotas. Embora afastado deste ideal que é um pedaço de mim mesmo, eu acalentava ainda a esperança de vê-lo triunfar. Triunfar e rebentar essas cadeias da incompreensão, que pesam na pseudoconsciência das mentalidades servis.

 Voltei, ouvinte amigo, voltei para a Rádio Cultura D’Oeste. Estive algum tempo na luta de retaguarda. Numa luta silenciosa e triste, cruenta e dolorosa. – A luta pela defesa do nome dessa emissora. Agora, outra vez nas frentes de batalha, eu olho os muitos horizontes que se desdobram à minha frente e vejo os dias que virão; talvez como antes, cobertos de emboscadas, enegrecidos de ignorância e saturados de incertezas. De ponto em ponto, vejo uma interrogação a bailar no espaço. Vislumbro um cajado que me aguarda na curva trevosa do caminho. Tudo é incerteza... mas, aqui estou pronto para esta segunda etapa da luta. E, ao olhar para a frente, eu quero deixar aqui, para você, futuro de dúvida, incerto dia de amanhã, como um desafio, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.

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