- Desafio –
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Ao se empunhar o baluarte da luta por
um ideal, tomamos para o nosso próprio “eu”, a responsabilidade de conduzi-lo, por
todos os terrenos, em meio de todas as tempestades e contra todos os
obstáculos.
Empunhei uma vez o pendão da batalha,
por esse ideal que é grande e majestoso, forte e fulgurante: RÁDIO CULTURA
D’OESTE. Marchei com todas as minhas forças, batalhei com todo o meu denodo,
entreguei-me a ele com todo o meu coração. Ofereci a esta realização o todo de
melhor que o meu esforço de sonhador pudesse produzir. Galguei com esta
emissora os seus penhascos de glória ,arrastei-me com ela na aridez de sua
incapacidade. E em todos os rincões, em todos os campos, em todos os momentos,
eu mantive erguido o seu baluarte, já algumas vezes galardoado nas sendas do
trabalho e algumas vezes apedrejado nas trevas da incompreensão. Sofri com
resignação e orgulho os pensamentos derrotistas. Ouvi o meu nome, manchado pela
baba nojenta dos incapazes para a luta, rodar na boca da ignorância. Senti os
dardos da covardia a se cravarem em minhas costas. De emboscada em emboscada,
lutei sempre à luz clara da verdade. Os ataques que partiram contra mim, vieram
de sussurros medrosos, brotados do lodo e da podridão, do despeito e da
covardia. Os meus gratuitos inimigos, a quem tenho a honra e o brio de ignorar,
nunca chegaram a atacar-me pela frente, pois os vermes fogem da luz e a luz da
verdade poderia cegá-los.
Ao me afastar da minha querida Rádio
Cultura, não desertei dos campos da luta. Continuei, com esforço ainda, a
erguer o seu baluarte. Sorri nas suas vitórias e sofri com as suas derrotas.
Embora afastado deste ideal que é um pedaço de mim mesmo, eu acalentava ainda a
esperança de vê-lo triunfar. Triunfar e rebentar essas cadeias da incompreensão,
que pesam na pseudoconsciência das mentalidades servis.
Voltei, ouvinte amigo, voltei para a
Rádio Cultura D’Oeste. Estive algum tempo na luta de retaguarda. Numa luta
silenciosa e triste, cruenta e dolorosa. – A luta pela defesa do nome dessa
emissora. Agora, outra vez nas frentes de batalha, eu olho os muitos horizontes
que se desdobram à minha frente e vejo os dias que virão; talvez como antes,
cobertos de emboscadas, enegrecidos de ignorância e saturados de incertezas. De
ponto em ponto, vejo uma interrogação a bailar no espaço. Vislumbro um cajado
que me aguarda na curva trevosa do caminho. Tudo é incerteza... mas, aqui estou
pronto para esta segunda etapa da luta. E, ao olhar para a frente, eu quero
deixar aqui, para você, futuro de dúvida, incerto dia de amanhã, como um
desafio, o meu ei...
O MEU EI PARA VOCÊ.
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